reset de estilo

2.1.16

2.1.16
Coat by Zelinka-Matlick 1954 5 anos a trabalhar a partir de casa.
5 anos a encarar a roupa como um objecto supérfluo, perfeitamente dispensável e cuja aquisição se faz por mero gozo e não por necessidade.
Quando trabalhas em casa, vestes a mesma roupa alternada nas lavagens e não há necessidade de roupa para momento algum, uma vez que estás aqui, atrás do computador.

E é atrás do computador que muitas 'fashionistas'  (este é um dos nomes mais pirosos de sempre) fazem os seus posts de estilo com fotos da memória no computador enquanto usam o mesmo fato de treino e vão trocando as meias de lã grossa compradas naquela viagem à neve, que servem perfeitamente para a foto IG do pequeno almoço com o café ao colo. As fotos são claras, a luz perfeita, as unhas pintadas.
E do lado de cá do computador, vamos achando que anda toda a gente cheia de um estilo natural, descomprometido, leve e fácil, somos todas parisienses. E ricas.

Mas depois, na rua, no momento do vamos lá ver, é tudo tão diferente, e triste e tantas vezes a roçar o ridículo. Sim, a vida no ecrã do computador é bem mais bonita. A luz verdadeiramente natural não é assim tão amiga do estilo. Temos pena.

Na verdade eu própria alimento-me de conceitos de estilo que vou consumindo virtualmente e raramente se comprovam no dia a dia.
No dia a dia, precisamos de botas para a chuva, camisolas para locais gelados, meias que não estejam rasgadas, casacos sem borboto e sapatilhas que não tenham passado pela guerra.

E de repente, olhas para o armário e concluis: congelei no tempo caseiro. Não posso sair de casa.
Tenho 37 anos, há muito que deixei de me deslumbrar com as roupas da Zara, vestir-me à anos 60 está fora de questão, calças rasgadas ao vento e saltos altos não encaram poças de chuva. O conforto não pode nunca ser ultrapassado pelo estilo. Quero peças bonitas, de qualidade, com as cores e as formas certas. Confortáveis. Não muito caras. Originais. Já não tenho muita paciência para grandes banhos de lojas. Também não tenho muito dinheiro.

Conclusão: melhor ficar atrás do computador.
De qualquer forma parece que vai chover, não é?


9 comentários

  1. Magnifico texto, como sempre! Confesso, adoro a moda de trabalhar em casa e vestir o que estiver mais à mão e confortável :)

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  2. O estilo vende-se, nem sempre se aplica. ;) Bom 2016.

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  3. Adorei!!
    É, realmente, o que se passa com a maioria.

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  4. oh como percebo... é tal e qual!!!
    beijinhos e bom ano!

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  5. Olá Sílvia, confesso que também tenho problemas com as roupas. Tantos que estou num jejum de 1 ano sem comprar nada para mim (já se passaram 6 meses). Costumo deslocar-me em bicicleta e a minha profissão é nas obras, ou seja, ando sempre vestida "muito à vontade". Claro que tenho colegas que vão de saltos altos e na maior elegância para as obras, mas não sou capaz. Então dei-me 1 ano para vestir o que tenho em casa e doar o que não me serve mais. Não me tem custado nada! tudo meu dura muitos anos, o meu corpo muda pouco e as roupas são tão básicas que não passam de moda. Então vou andando assim, sem entender muito bem as fashionistas, os looks do dia e as corridas aos saldos...Beijinhos

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    1. Ah! mas eu gosto de roupa e moda e todas essas coisas. às vezes não me consigo é encaixar, ou melhor, sejamos sinceras, não me consigo agradar:D

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  6. Acontece o mesmo com o desemprego. às vezes penso: ainda bem que vai chover.

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  7. Comecei o ano passado o reset Sílvia. Já estava farta de acumular coisas que não vestia há anos. E o facto de ter tido um período de quase um ano sem comprar nada também não ajudou a melhorar a minha disposição na hora de me vestir. Dei por mim a comprar roupa só para os meus filhos cada que saía à rua comm o propósito de comprar alguma coisa para mim. Com esta "limpeza" o meu roupeiro ficou bem mais vazio o que curiosamente me veio facilitar a vida. Tenho menos roupa. Compro menos, mais simples, menos na "moda", e com mais qualidade. Tenho menos por onde escolher, é mais fácil de combinar, e os borbotos da Zara desapareceram praticamente todos. :) E cheguei à conclusão que os saldos são uma boa altura para tratar disto porque acontecem 2 vezes por ano e compra-se mais barato. Dá um bocadinho de trabalho mas depois compensa. Ânimo! :)

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