o caminho

22.1.09

22.1.09

o caminho, originally uploaded by silvia - raparigascomonos.

uma grande parte das pessoas que conheço, não estando nunca satisfeitas com a sua vida, raramente a questionam.
há aqueles que desde a escola primária escolheram uma profissão e construiram todo o seu percurso baseado nessa escolha. ora, não será nada adequado que, passado 30 anos, ponham em causa tudo pelo que lutaram a vida inteira. tenho a certeza que essas pessoas nunca se perguntaram se estariam a fazer aquilo que mais gostam ou para que teriam mais "talento".
depois há aqueles que não tinham muitas possibilidades, pelas dificuldades que lhes eram inerentes, seguiram os caminhos que a escola lhes permitiu e parecem que se dão por contentes por se terem "safado" daquilo e até ganharem bem.
há também as pessoas que têm o objectivo da escalada na mente...subir é o lema...não sabem bem o que é para cima ou para baixo, mas desde que aos outros lhes pareça que eles chegaram longe, chega-lhes...
há ainda os que, se dizem talhados para uma função, mas que tudo lhes corre ao contrário, então nunca lá chegam, ou há-de ser porque está frio, ou porque "joga o benfica" ou porque o "pai não quer". estão sempre a pensar lá ir, mas nunca lá estão!
eu sou do grupo do não sei: várias opções, todas as escolhas possíveis, mas sem nunca saber bem o que queria, para onde queria ir ou como o fazer. várias escolhas erradas se passaram pelo meu caminho, várias escolhas muito acertadas, dificuldades, muitas dificuldades ultrapassadas e hoje continuo com o "não sei"...como fazer, para onde ir, como arrancar...do que vou ou não gostar...sempre, sempre a questionar tudo e todos e a lutar já não sei bem pelo quê...não seria suposto isto passar com a idade? a precisar de descansar!

7 comentários

  1. Como eu (me) leio neste teu texto...Falo por mim, pensar demais também não ajuda. Eu sou (como te disse) mais ou menos daqueles que dão voltas diferentes (relacionadas, mas não necessariamente consequentes ou esperadas num 'percurso académico/profissional' normal - o que é isso, tabém não sei), por vezes inesperadas, mas que acreditam que a algum lado há-de dar, a um bom lugar, que inspire.
    Há aqueles que sabem muito de uma coisa (especialistas, apresentam no seu 'cartão de visitas') e há aqueles que sabem um pouco de muito. E depois há aqueles que, de um lado, se querem mover para o outro, mantendo o espírito da abertura.
    Descansa então;)

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  2. Como diz a "Everybody's Free (To Wear Sunscreen)" do Baz Luhrmann:
    "Don't feel guilty if you don't know what to do with your life. The most interesting people I know didn't know at 22 what they wanted to do with their lives, some of the most interesting 40-year-olds I know still don't."

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  3. Bem-vinda ao clube.
    Houve alguém no outro dia que me perguntava se eu estava feliz. Eu respondi que feliz estava, satisfeita é que não (nunca estou).

    Acho que é essa insatisfação do "não saber", de querer experimentar que nos faz andar para a frente e fazer coisas novas, apesar de ser muito cansativo (como eu concordo contigo!!).

    Da minha experiência, sei que faço percursos circulares, seja quando desenvolvo um projecto, ou na minha própria vida. Ou seja, volto sempre onde comecei, mas com a bagagem de experiências que acumulei pelo caminho "torto" (bem sucedidas, ou não).

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  4. E eu a pensar que estava sozinha... posso juntar-me ao clube??
    Revejo-me neste post, principalmente nesta fase da minha vida.
    Sou uma insatisfeita como disse a Alice e nunca sei bem o que quero como refere a Marta.
    Gosto de ir fazendo ao sabor do vento mas temo fazer escolhas que me possam encerrar apenas num tempo e espaço.
    E sim é muito cansativo andar sempre atrás de qualquer coisa e nunca saber bem de o quê.
    Mas mais cansativo é o tédio da rotina diária que nos encerra num mundo insípido.

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  5. Julgo que não passa com a idade (ainda bem!)
    Nos tempos que correm isso é optimo, pois já não há profissões para toda a vida (e ainda bem!). E é tão bom começar um novo projecto, um novo caminho.. Por mim, se pudesse, se tivesse tempo, se a vida fosse infinita, se não tivesse que pagar contas ao fim do mês: tirava vários cursos em areas completamente diferentes ( gestão, nutrição, decoração de interiores...) Mas, mesmo não podendo fazer tudo de repente, vou procurando meios, caminhos de me realizar e aprender sempre mais.
    Também é preciso arriscar! Eu tento ter sempre os pés na terra, mas sigo sempre o coração, e não me tenho enganado :)
    Boa sorte!

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  6. Sinto-me tão assim que parece que finalmente "conheço" alguém que também está a passar pelo mesmo. E ainda por cima não é a única, a julgar pelos comentários que aqui estão...
    No meu caso desde criança que sempre soube o que queria seguir, Artes (Pintura/ Escultura). Estudei, fiz um curso superior em Artes Decorativas, tive boas notas e recebi elogios dos professores, mas... quando entrei no mercado de trabalho todo o encanto se desvaneceu e pela primeira vez fui apanhada por estas interrogações da vida. Passei de emprego em emprego, por várias razões... Nestes últimos dois anos fui apanhada duas vezes pela depressão e ela fez-me pensar novamente. Descobri o "não sei".
    Descobri que estava sem objectivos, sem auto-estima e, até à bem pouco tempo, sem emprego. Descobri que penso demais, também. E descobri que para se encontrar o caminho é preciso força de vontade, objectivos calculados e sorte, muita sorte.
    ... Há pouco tempo encontrei dentro de mim alguns objectivos, que só poderia alcançar se conseguisse arranjar emprego. A sorte bateu-me à porta e amanhã começo um trabalho novo.
    Não sei como vai ser desta vez, mas talvez com alguns objectivos em mente as coisas passem a ser diferentes.
    Por isso descansa um pouco, mesmo que por breves momentos, pensa no que gostas, queres e podes fazer. Concentra-te nisso, olha para a tua filha e pensa também nela, porque inevitávelmente tudo o que fazes influência a sua vida. Procura caminhos e segue o que puderes. Pela minha parte desejo-te as maiores felicidades!

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  7. É preciso é coragem e lucidez. Libertarmo-nos do excesso. Padeço do mesmo problema. Pensar demais, esse pensar, e cansa. Mas há outro

    "Este homem que pensou
    com uma pedra na mão
    transformá-la num pão
    transformá-la num beijo

    Este homem que parou
    no meio da sua vida
    e se sentiu mais leve
    que a sua própria sombra"

    (António Ramos Rosa)

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