[not] just for locals

6.12.11

6.12.11
casa de praia
do nosso mar

quando ouço a conversa do consumo consciente, apoio ao comércio tradicional, consumo local vs shoppings e grandes superfícies, cada vez mais me convenço que as pessoas apenas pensam e falam como se todos vivêssemos na cidade, rodeados de metro e autocarros e ruas com passeios.
pois essa não é a realidade de uma grande parte das pessoas que vivem no nosso país. eu nunca vivi numa grande cidade, sempre vivi em pequenas praias. a distância aos grandes centros urbanos não é muita, mas implica uma viagem de carro ou de comboio de pelo menos meia hora ou mais. ora, nestas terras praticamente não existe comércio (ponto!). o que existe é direccionado ao trio praia/sol/mar e resume-se a restaurantes e esplanadas que durante o inverno entram, também elas em modo de hibernação. por isso, não existe a tradição de se fazer as compras localmente, porque a uma distância 'caminhável', geralmente não existe quase nada.
só para vos dar um exemplo, quando andava na escola haviam 3 autocarros (de manhã, tarde e fim do dia) e se o meu horário não condizia com nenhum deles o trajecto da minha escola até casa era, nada mais nada menos, do que 45 minutos (a andar bem!). agora isto até parece muito engraçado do ponto de vista de que caminhar faz bem e o trajecto era feito por ruas pouco movimentadas e com pouca poluição. mas acreditem que para uma miúda isso parecia interminável.
o que acontece aqui é que os grandes super mercados e os shoppings instalam-se na imediação destas terras e fazem com que as pessoas, que têm de pegar no carro para se deslocar, acabem por o fazer de imediato a uma grande superfície porque está lá tudo concentrado. outro factor, tem a ver com a forma como estas terras estão pensadas (ou melhor não estão pensadas de todo!) em termos de distribuição espacial das ruas, casas, passeios, estacionamentos, acessibilidades, etc. não existe propriamente um sítio onde o comércio se possa concentrar e que convide à deslocação pedonal das pessoas. grande parte das ruas ainda nem sequer estão equipadas com passeios.
ora, tudo isto faz com que seja uma batalha para qualquer empreendedor arriscar o seu negócio numa terra pequena e depois, claro está, os habitantes vão tendo cada vez menos opções e a tradição de comprar localmente pura e simplesmente desaparece.
é pena, eu gostava de poder sair de casa, a pé, e ter uma zona, uma pequena praça, onde pudesse comprar o jornal, passear com as minhas filhas, fazer compras e voltar para casa a uma distância 'caminhável'. mas não tenho. para isso tenho de me deslocar a espinho ou ao porto.

ora isto tudo para dizer que, apesar das dificuldades, há pessoas que resolvem arregaçar as mangas e fazer alguma coisa para mudar o cenário. a estas pessoas dá-se o nome de agitadores, como estes:D
e foi assim que eu fui convidada a participar no bazar de natal de cortegaça, uma praia bem pequena aqui perto da minha e onde tenho muitos amigos que fazem parte da minha história de vida! estou por isso muito contente, não porque tenha uma expectativa de vendas muito grande (acho que nunca tenho de qualquer forma...ahaahahah), mas porque sei que vai ser divertido, vai haver música e doces tradicionais, pessoas conhecidas a participar e uma geração de gente que quer mudar e agir sobre a comunidade que nos rodeia de forma positiva. então fica aqui o convite, às pessoas que me conhecem e que não conhecem, que não costumam fazer compras na sua terra, que acham que isto não vai resultar, que pensam que 'eles estão tolinhos', que têm a certeza que no shopping há coisas bem mais interessantes e em conta para o seu natal, venham até lá tirar a teima e visitem-nos, porque com ou sem compras, tenho a certeza que vai ser uma experiência que vão querer repetir!

2 comentários

  1. Dizer que gosto disto é muito pouco! :)

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  2. Só a iniciativa de começar é já um novo passo para a mudança. É asai que se começa!!! Bom início!!!

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