todos iguais, todos iguais

19.9.14

19.9.14
#casamaurana #miudasgiras Se há uma altura da nossa vida em que prezamos a diferença, pelo menos alguns de nós (eu prezo muito), outras há em que não ser igual a todos os outros é uma grande chatice.
A minha filha ontem estava triste porque gozavam com ela por causa da capa da chuva.
Tem umas orelhas no carapuço. (sendo sincera, era a única capa de chuva no hipermercado).
E qual o problema das orelhas? Dizem que é de bebé.

Mas então e o que as tuas amigas que gozam com as orelhas usam?
A Violeta.
Mas quem é essa?
Pois mãe, eu precisava de saber melhor quem é a Violeta, só vi uma vez, porque na nossa televisão não temos e eu não sei. As minhas amigas adoram.

Mas sabes filha, tu não precisas de gostar do que elas gostam, se gostas da tua capa, deves defender os teus gostos. Não somos todos iguais, se assim fosse o mundo era uma grande seca.
Pois. Pois.
A capa está pendurada para os dias em que não tiver de ir à escola, para já ela prefere apanhar chuva pela cabeça abaixo do que ouvir risadas sobre ela.
Quer ser igual a todas as outras.

8 comentários

  1. Não posso deixar de comentar... é o príncipio de uma longa caminhada essa :-) cá em casa já a estamos a viver há anos! As nossas meninas pedem-nos para, além de as deixar ser como as amigas, para nós sermos iguais aos pais das amigas...dizem elas que lhes facilitava tanto a vida.
    Leiam juntas dois livros maravilhosos que se chamam "As orelhas de borboleta" Kalandraka e a "A fada-bruxa" Editora KUAL são bons pontos de partida para falar destas coisas :-)

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    1. Obrigada Alexandra, estava mesmo a pensar nisso, numa boa história para lhe ler!

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  2. os meus filhos andam numa escola que promove a diferença - não há fardas, os colegas tanto podem ser filhos do embaixador como filhos do porteiro da escola e outras coisas assim. No entanto, para se integrarem procuram adoptar comportamentos e alguns gostos que não identifico como sendo nossos e eles sabem. O desafio aqui em casa passa por fazê-los perceber que um "original" é sempre mto mais interessante que uma "cópia". E tb que antes de decidirem seguir a "turma" pensem pela cabeça deles e se lembrem do que lhes ensinámos. As opções são deles ... (e tenho 3 filhos com personalidades completamwnte diferentes). bom fds Silvia :)

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  3. Eu entendo, mas tb é importante que saibam o que estão a recusar, vá. Aqui nao gostam da Violeta e nao ha grd espaço para gostarem. Conhecem, deitam os olhos, cantarolam a cantiga, etc etc. Mas nao gostam e dizem as amigas que acham foleiro e mauzinho.... Tenho a certeza que a tua miuda vai achar a Violeta bastante ridicula.... Se vierem a ser fans de algo de que nao gostes, tb nao é o fim do mundo ;) é só o generation gap! :)))) enqto formos honestos e sinceros e genuinos como pais, eles vao compreender-nos as diferenças e muito provavelmente acompanhar-nos. Nao concordo que a tua filha queira ser igual as outras. Acho que ela quer compreender 'o que se passa'.

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    1. Ela só não conhece bem porque dá num canal de cabo que não temos. Não a impeço de ver se ela gostar, aliás ela gosta de muitas coisas que eu não gosto:D sempre foi assim. mas sim, concordo que ela precise de saber 'o que se passa'

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  4. A construção da individualidade é uma daquelas matérias complicadas. E a escola é terreno fértil para essa aprendizagem. Na escola primária, é isso de se ser igual, como se fosse camuflagem. Uns anos mais à frente, o jogo é ao contrário. Mas é um jogo inacabado, creio.

    Ser mãe de meninas traz este bónus, parece. O meu filho quer tudo confortável e largo, naquele espírito skater:) Quanto a essas miúdas que gozam com as orelhas da capa da tua filha, fazem parte do processo. Vai haver mais dessas, ao longo da vida. Mas ela vai dar conta desses e de outros recados:) Lembrei-me agora da tal boneca diferente de que te falei há dias e acho que até essas miúdas das orelhas iriam gostar:)

    E é bom vir aqui.

    Beijos.

    Mar

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  5. Engraçado que ainda hoje pensei neste tema acreditas? Veio à minha cabeça que quando tiver um filho vou querer que ele consiga afirmar os seus gostos, sem a influência estúpida que muitas crianças de hoje em dia têm sobre os outros. Mas deve ser difícill, bem difícil!

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  6. Cá em casa a coisa ainda se torna mais complicada, pois estar connosco de 15 em 15 dias não é precisamente o melhor tempo para adquirir os nossos gostos. E lamento, fico triste, desiludida por tentar criar uma criança à margem dos ideais dos outros. As diferenças são notórias e muitas e muitas vezes doem-nos bastante na alma. Tenho alturas que luto, outras desisto e nós próprios não sabemos exatamente como agir. E se há uma coisa que eu dou valor num adulto ou criança, é a personalidade, e não consigo de todo compactuar com personalidades e gostos comprados da TV. Se estou a limitar algum conhecimento?! Não sei, apenas lhe dou a conhecer a minha realidade nos poucos dias que passa connosco, uma vez que a outra, igual a de todos, ela já lida quase diariamente. Se a nossa realidade é melhor que a outra? Também não sei. Mas pelo menos sei que se acreditar na minha e a incutir nela, estarei a provar o meu caracter que na melhor das hipóteses construirá o dela.

    Tudo isto para te dizer que compreendo alguma frustração que possas sentir na caminhada complicada dos gostos das tuas filhas, pois é perfeitamente legítimo que se trabalhas uma vida inteira pela diferença, não te consigas contentar com uma “Violeta”.

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