in the no age era

28.5.12

28.5.12



Nos meus 24 anos, vivi um período em Inglaterra na cidade de Bristol e uma das coisas que me marcou muito foi a forma como as diferentes gerações de pessoas viviam a vida naquela cidade. Costumávamos ir a uns pubs com música ao vivo e eu ficava horas a observar grupos de pessoas, amigos, com idades entre os 50/60/70 anos, que por lá se encontravam, basicamente a fazer o mesmo que nós: beber umas 'pints', ouvir música e estar com os amigos, divertir-se! Eu ficava a pensar que podiam ser os meus pais ou avós e que em Portugal seria muito estranho estar num bar com eles a fazer este tipo de coisas. Mas lá não. Era normal. E este grupo de pessoas não estava de forma alguma deslocado nem se encontrava em nenhuma fase da sua vida a tentar reviver qualquer tipo de juventude perdida, não, fazia parte dos seus hábitos normais de vida. E também não se verificava qualquer tentativa de tentar parecer mais novo, com roupas ou formas de estar que não fossem deles, não, nós é que com certeza estávamos ainda à procura da nossa forma de estar e eles seriam para nós uma boa inspiração.

Ora isto tudo para falar do quê?
Para dizer basicamente que eu acho que uma nova forma de viver a idade, ao que ao aspecto e comportamentos diz respeito, se começa a fazer notar na sociedade. Não tem nada a ver com aquelas coisas do 'ah e tal os 50 são os novos 30' e esse tipo de coisas, não. A questão aqui é que os 30 são os 30, os 40 os 40 e por aí fora. A forma como os sentimos e incorporamos é que está a ficar diferente. Quem nunca ouviu comentários do tipo 'ah, aquela roupa já não é para a idade dela' ou então 'já tinhas idade para ter juízo' ou por exemplo se pensarem em mulheres que conheçam que aos sessenta anos se vestem de vermelho vivo ou cor-de-rosa ou que decidem aprender algo novo, poucas são as imagens que vão aparecer. Depois há o reverso da medalha que é a procura da juventude que se vê por fora, com alterações drásticas ao curso da natureza e que também não são o exemplo de uma 'era sem idade' uma vez que procuram exactamente o contrário.

Hoje em dia nada é proibido. Não existem limites nem idade para aquilo que nós queremos e podemos ser. A música que ouvimos, os filmes que gostamos, a vida que nos dá prazer não está definida pela idade que temos. Um par de sapatilhas pode ser usado descontraidamente por qualquer mulher em qualquer fase da sua vida. Um concerto não é um acontecimento de jovens, mas sim de apreciadores de música. As nossas cabeças estão livres, as cores com que pintamos o nosso corpo são um reflexo daquilo que queremos trazer cá para fora, o que calçamos, vestimos, a forma como apanhamos o cabelo têm mais a ver com o nosso estilo de vida do que propriamente com a nossa idade. Pode haver quem não goste, quem ache isto ou aquilo, mas já há muito menos censura à forma de estar das pessoas na vida.
A criatividade, a vontade de fazer, conhecer, mudar, aprender, apreciar não têm idade definida e isso é, na minha opinião, uma forma de liberdade muito importante. Não sentir esse peso dos anos nos ombros, a sensação de que o nosso momento já passou, mas apenas um acumular de experiências que vai crescendo e que é cada vez mais valioso. Isto é bom, muito bom!

E este post esta lindamente ilustrado pelas fotos da Ingrid Jansen do blog wood & wool stool (com autorização da mesma!) pois para  mim, as fotografias dela representam, em termos visuais, exactamente isto que eu quero aqui expressar.

Tenham uma boa semana, sem preocupações 'temporais':)

7 comentários

  1. WOW !!!!! Concordo completamente com o estás a dizer !! E gosto muito da maneira que o escreves !! j'applaudis !!!! :)

    ResponderEliminar
  2. Oi Silvia, leio o seu blog quase que diariamente e tudo o que você escreve se respira uma atmosfera muito boa. Acho que são os ares de praia, não? beijinhos!

    ResponderEliminar
  3. Que giro, ainda este fim de semana estava a ter esta conversa com um amigo; estavamos a comentar que há uns anos atrás as mulheres aos 40 usavam "todas" a bela da permanente, óculos e a saia de fazenda pelos joelhos :)
    Felizmente que as coisas estão a mudar ! Parabéns pelo blogue, gosto muito .

    ResponderEliminar
  4. Hej Silvia,
    Very nicely explained, how it works with the stages in life.
    Do what makes you happy and feels right an grab the best of it and see the beauty of life.
    Thanks for the interesting post and I do feel 'honored' you choose my images to illustrate the no age era Xx Ingrid

    ResponderEliminar
  5. Parabéns pelo post!.Como me nquadro-me nas mulheres Plus 50,sendo uma leitora assíduo do teu blog e do blog da Ingrid Jansen,fiquei muito contente ao ler o teu manifesto á " no age era."BRAVO!

    ResponderEliminar
  6. "Um concerto não é um acontecimento de jovens, mas sim de apreciadores de música" e esta frase diz tudo, aplica-se a outros campos da vida.
    Gostei muito do que escreveste e do conceito No age era.
    ;)

    ResponderEliminar
  7. Texto maravilhoso. Confesso que por vezes me encontro a resvalar para a ideia de que "o meu tempo está a passar" e fico muito assustada. Felizmente vou tendo umas chamadas de atenção que me puxam para a vida, como este texto, por exemplo. :))
    Obrigada
    Sílvia

    ResponderEliminar