house by the sea: the end

20.6.11

20.6.11
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do nº 7 daquela rua não restou nada. da casa amarela com portas vermelhas a espreitar o oceano, nem uma pedra ficou para evocar memórias. limpo, foi tudo limpo. limpo e pronto a tornar-se em mais um espaço de especulação imobiliária, pronto para receber uma moderna casa de formas rectas e piscina nas traseiras. ficaram as suas imponentes palmeiras, com muitas dezenas de anos de vida, que com certeza aumentam mais uns pontos ao valor do terreno que ali ficou, limpo...limpo da sua linda casa amarela.
aqui nunca mais ninguém se vai sentar nas escadas a ver o pôr do sol, nem o portão vermelho de contos de fadas se vai abrir para as crianças e os cães. aqui não vai haver nenhuma avó a ler um livro, nem caras banhadas de sal no meio das flores e das árvores. aqui nunca mais vou conseguir sonhar com senhoras de chapéu e cadeiras de praia, com limonadas frescas e sardinheiras vermelhas.
eles vieram e levaram tudo. acabou. agora nem atravessar o oceano será suficiente para nos juntar alguma vez na vida.
adeus.

house by the sea [1]
house by the sea [2]

2 comentários

  1. :-(
    Post lindo, e triste... Parabens, pq transmite muito do que sinto relativamente à evolução que nos rodeia, das localidades...
    Eu sinto tristeza e impotência, ao ver casas lindas e com identidade a desaparecerem, uma a uma, para surgir mais um paralelipipedo branco, com janelas cinzentas e quem sabe, umas madeiras hiper-tratadas aplicadas de lado :-(

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  2. é assustadora a falta de sensibilidade que nos rodeia...
    E infelizmente a maior parte das vezes o dinheiro fala mais alto, há situações em que é mais barato demolir e construir de novo... mas o charme e a "aura" de alguns edifícios antigos é inimitável e não tem preço.
    E há quem não veja isso ou quem não valorize isso… é triste.

    claudiaB

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