porto 'não me toques'

14.12.14

14.12.14
fast food à moda do porto Já todos sabemos que o Porto anda a renascer das cinzas com o turismo e a 'movida' nocturna.
Já todos concordamos que a iniciativa privada é que está a salvar a cidade de se tornar uma ruína geral e que são os restaurantes e cafés e hotéis que estão a recuperar os prédios e as lojas e a trazer mais pessoas para o centro da cidade.

Mas nos últimos meses experimentei alguns dos restaurantes novos do Porto.
A conclusão a que tenho chegado é a seguinte:
Decorações muito cuidadas, cosmopolitas, que misturam o velho e o novo, que usam as belas fachadas dos edifícios da melhor maneira.
Preços elevados.
Comida fraca face ao expectável pelo preço.
Mas acima de tudo (e salvo raras excepções é preciso ressalvar) uma incrível antipatia por parte de quem serve às mesas. Geralmente gente muito nova, com bom aspecto, mas que são incapazes de trocar duas palavras simpáticas com o cliente. Aconselhar algo da carta ou um bom vinho. Estabelecer um elo de ligação com o cliente que o vai querer fazer voltar.
Há todo um novo snobismo associado a estes novos locais que me deixa profundamente irritada.

E aquilo que mais é referido por quem visita o Porto, a genuidade das pessoas, vai-se perdendo em carinhas larocas fashion com pouca simpatia e conhecimento do ramo.
E ficam as saudades dos empregados de camisa branca que nos tratam por menina, perguntam sempre se estamos a gostar, sorriem e dizem algumas graças tipicamente tripeiras, de forma descontraída, sem 'não me toques', com uma simpatia genuína.
Eu não me importo de pagar mais um bocado para comer num bom restaurante, mas quando o faço espero que a comida seja espectacular, a bebida igualmente e a simpatia e disponibilidade de quem nos atende seja a melhor para que o momento se repita mais vezes. Quando estas variáveis não se juntam, não me têm de volta, isso é certo.

E no Porto está a ser cada vez mais raro encontrar esta variante mágica: a simpatia.
Temos pena.

6 comentários

  1. mais a centro sinto exactamente a mesma coisa!

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  2. É uma pena realmente. O genuíno vai-se perdendo a olhos vistos em prol de modas e estéticas. Boa educação não tira pedaço, e é uma das coisas mais básicas. Sou a favor da evolução das coisas, mas há outras que nunca deveriam deixar de existir. A nossa hospitalidade e simpatia, aquilo que nos caracterizava tão bem, deixa agora a desejar. Claro que não podemos generalizar, mas é uma pena. :)

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    1. não quero que interpretem isto como uma generalização que no Porto há muito sítio bom e gente simpática, bem o sabemos, apenas é uma sensação que me tem ficado das últimas vezes que tenho estado no Porto. E vários amigos comentam o mesmo. Mas esperemos que seja apenas da falta de experiência...

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  3. Recentemente, na zona centro, senti o mesmo. Fui a um restaurante muito giro mas depois o serviço deixou um bocado a desejar ... cheguei a sentir-me constrangida por ter sentido que constrangi o empregado por lhe ter dirigido a palavra ... enfim, foi estranho :p
    Mas sim, concordo completamente com o que acabaste de dizer. Na restauração, assim como no atendimento público em geral, uma carinha laroca com em estilo xpto não basta a formação é prioritária! beijinhos :)

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  4. quando li: -" empregados de camisa branca que nos tratam por menina," lembrei-me logo da casa dos pasteis de Chaves, ao lado do coliseu, antes de ser renovada... Mas, ainda assim, que continue esta vaga de renovação...(embora também já tenha sentido esse desconforto, por não saber como chamar os empregados que quase não olham para nós...

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  5. É mesmo isso!!! Livra, não há pachorra para os empregados que nos servem como se nos fizessem um favor. Isso é tão pouco portuense.

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