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profissão: poeta

3.6.14

RETRATOS | MATILDE CAMPILHO from clara cavour on Vimeo.

Não sei se há muita gente desse lado que goste de poesia, mas eu sofro do mesmo problema que ela: o da falta de concentração. Para a minha atenção estar focada eu tenho de sentir o ritmo, a cadência, o som das palavras a bailarem umas com as outras e a fazerem a minha pele sentir, o meu coração acelerar.
Caso contrário qualquer 'mosca' me leva daqui para outra dimensão.

Esta poeta tem o ritmo nas mãos, no olhar, na expressão, na voz e nas palavras. Toda ela é poesia. Da boa, da emocionante. Numa mistura de um sotaque que primeiro nos parece estranho e que em poucos minutos se sente como nosso.
De todos.

soneto do amor total

21.3.11


Amo-te tanto, meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.

Amo-te afim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.

Vinicius de Moraes

dos meus lábios

13.12.10
dos meus lábiosjanelaartnos teus braços serei ventoall is good

porque hoje esteve sol
porque consigo achar beleza em cada esquina que contorno
porque encontro tudo o que procuro
porque acredito
porque cresces e tudo está bem
porque gosto desta música

"o meu abraço tem a forma do teu coração"

23.9.10
nas ruas por onde passo encontro pedaços de poesia que me emocionam muito mais do que um filme, peça de teatro ou música.
viva os poetas fora dos livros!!!!!

errata: por aviso de uma leitora só agora reparei que a frase na parede diz "o meu abraço tem a forma do teu corpo" e não do teu coração, como eu li!
bem, isto é o que se chama de ver palavras onde elas não existem:)

reaprender a andar de bicicleta | how to ride a bike

14.2.10

road to nowhere, originally uploaded by silvia - raparigascomonos.

- scroll down for english please -

esta semana tomei uma das decisões mais importantes dos últimos tempos na minha vida. quebrei com um ciclo que já vivia há vários anos e ousei recomeçar tudo do zero. não foi uma decisão que fizesse parte de nenhum plano de ano novo, nem uma consequência de um momento mais aceso ou emotivo, mas sim o culminar de muito tempo de insatisfação perante mim mesma e de consequente reflexão.
e agora sinto como que se a vida me estivesse a dar uma segunda oportunidade, um recomeço, a possibilidade de ser e viver algo melhor, mas ao mesmo tempo carrego uma mala vazia.
tantos anos de experiências e aprendizagens fizeram de mim o que sou hoje, mas para o futuro ainda não sei o que levarei. nem sei sequer como vou encher a bagagem e aonde ela me levará daqui a mais uma meia dúzia de anos.
a expectativa traz aquele frio na barriga que é bom, mas que me impede de comer:)
para quem me segue ou me conhece este é o culminar de muitos posts e pensamentos e o momento derradeiro da aplicação do poema do pablo neruda que já aqui publiquei tantas vezes:

"Quem morre?

Morre lentamente
quem se transforma em escravo do hábito,
repetindo todos os dias os mesmos trajectos, quem não muda de marca
Não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente
quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente
quem evita uma paixão,
quem prefere o preto no branco
e os pingos sobre os "is" em detrimento de um redemoinho de emoções,
justamente as que resgatam o brilho dos olhos,
sorrisos dos bocejos,
corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente
quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho,
quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho,
quem não se permite pelo menos uma vez na vida,
fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente
quem não viaja,
quem não lê,
quem não ouve música,
quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente
quem destrói o seu amor-próprio,
quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente,
quem passa os dias queixando-se da sua má sorte
ou da chuva incessante.
Morre lentamente,
quem abandona um projecto antes de iniciá-lo,
não pergunta sobre um assunto que desconhece
ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves,
recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior
que o simples fato de respirar. Somente a perseverança fará com que conquistemos
um estágio esplêndido de felicidade."

(Pablo Neruda)

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this week I took one of the most important decisions of recent times in my life. I've broke a cycle in which I lived for several years and dared to start again from scratch. it was not a decision part of any new year's plan, or a consequence of an emotional moment, but the end point of many years not being happy with myself and its consequences.
and now I feel as if life were to give me a second chance, a fresh start, the possibility of being and living a better existence, but at the same time I feel like carrying an empty bag.
many years of learning and experiences made me who I am today, but for the future I still do not know what I will take with me. not even how I will fill in the luggage and where it will take me for the next years.
the expectation brings me goose bumps which is good, but also doesn't let me eat:)
for those who follow or knows me this is the culmination of many posts and thoughts and the final application of the 'Pablo Neruda' poem that I've published so many times:


"Who dies? Dies slowly...
He who becomes the slave of habit, who follows the same routes every day,
who never changes pace, who does not risk
and change the color of his clothes,
who does not speak and does not experience, dies slowly.
He or she who shuns passion, who prefers black on white,
dotting ones “is” rather than a bundle of emotions,
the kind that make your eyes glimmer, that turn a yawn into a smile,
that make the heart pound in the face of mistakes and feelings, dies slowly
He or she who does not turn things topsy-turvy, who is unhappy at work,
who does not risk certainty for uncertainty, to thus follow a dream,
those who do not forego sound advice at least once in their lives, die slowly.
He who does not travel, who does not read, who does not listen to music,
who does not find grace in himself, dies slowly.
He who slowly destroys his own self-esteem,
who does not allow himself to be helped,
who spends days on end complaining about his own bad luck,
about the rain that never stops, dies slowly.
He or she who abandons a project before starting it,
who fail to ask questions on subjects he doesn’t know,
he or she who don’t reply when they are asked something they do know, die slowly. 
Let’s try and avoid death in small doses,
always reminding oneself that being alive
requires an effort by far greater than the simple fact of breathing.
Only a burning patience will lead to the attainment of a splendid happiness.
(Pablo Neruda)

desejo-vos o pôr do sol

21.12.08

encontrei esta foto no flickr, que por acaso é de alguém que eu conheço pessoalmente, e não resisti a usá-la!
uma boa forma de desejar algo de bom nesta quadra natalícia!
lá está um tipo de pintura na cidade que nos surpreende pela positiva, assim como estas!
assim sendo, este ano, desejo a todos os leitores do meu blog um fantástico pôr do sol!

poiesis

28.5.07

PICT3220, originally uploaded by rapariga como eu.

a companhia de teatro persona estará a apresentar a sua performance "poiesis", amanhã, dia 29, pelas ???? (eu própria não sei a hora do meu espectáculo...isto está a ficar cada vez melhor!) no Contagiarte....

para mim a poesia é algo recente...descobri apenas o seu significado e o seu prazer já na idade dos 20...talvez porque é preciso viver para perceber...ou talvez porque a boa poesia não anda por aí nas telas de cinema, na música da rádio, nem mesmo nos livros que se intitulam como tal...
se bem que os há muito bons, também os há péssimos...e alguns erros de escolha podem ser fatais para o conhecimento poético da maioria de nós...
felizmente tive a sorte de durante a minha vida conhecer alguns excelentes poetas...daqueles que não têm livros, mas que escrevem nos guardanapos, em pedaços de papel perdidos, nas paredes ou em mensagens secretas...
a esses poetas devo a minha inspiração para sonhar e para ler poesia...
vivam os poetas em cima do joelho...

amor de rapariga

7.3.06
"As raparigas amam muito.
Riem atrás das mãos uma manhã inteira para esconder o vermelho dos beijos que alguém lhes roubou e um nome que vão deixar escapar entre as primeiras palavras que disserem.
Vestem do avesso os aventais de chita e fazem o leite sobrar do fervedor e o caldo ser mais salgado do que o mar.
Mas é bonito vê-las caminhar descalças ao longo do corredor, como se pedissem um par para dançar.

As raparigas amam tanto.
Sentam-se em rodas de segredos uma tarde inteira e esquecem no tanque os colarinhos sujos das camisas, e os cueiros, e uma barra de sabão a derreter-se como o seu coração.
Mas é bonito vê-las beijar a boca ao espelho no quarto das traseiras e também a outra boca no retrato que a seguir escondem amordaçado na algibeira, não lhes cobice alguém o que não tem.

As raparigas amam de mais.
Deixam-se ficar sem dizer nada uma noite inteira, bordando no linho dos enxovais letras secretas ao calor do fogão. E picam os dedos distraídos nas agulhas que usaram para descobrir o sexo de cada filho que terão num jogo que jogaramentre elas à tardinha.
Mas é bonito vê-las ao serão, quando o vento as chama atrevido da cozinha e dão um pulo seco na cadeira, e largam o bordado e a lareira, e correm até à porta a colher beijos que lhes deixam risos nos lábios tão vermelhos como as mais doces cerejas deste verão. "

Maria do Rosário Pedreira