reaprender a andar de bicicleta | how to ride a bike

14.2.10

14.2.10

road to nowhere, originally uploaded by silvia - raparigascomonos.

- scroll down for english please -

esta semana tomei uma das decisões mais importantes dos últimos tempos na minha vida. quebrei com um ciclo que já vivia há vários anos e ousei recomeçar tudo do zero. não foi uma decisão que fizesse parte de nenhum plano de ano novo, nem uma consequência de um momento mais aceso ou emotivo, mas sim o culminar de muito tempo de insatisfação perante mim mesma e de consequente reflexão.
e agora sinto como que se a vida me estivesse a dar uma segunda oportunidade, um recomeço, a possibilidade de ser e viver algo melhor, mas ao mesmo tempo carrego uma mala vazia.
tantos anos de experiências e aprendizagens fizeram de mim o que sou hoje, mas para o futuro ainda não sei o que levarei. nem sei sequer como vou encher a bagagem e aonde ela me levará daqui a mais uma meia dúzia de anos.
a expectativa traz aquele frio na barriga que é bom, mas que me impede de comer:)
para quem me segue ou me conhece este é o culminar de muitos posts e pensamentos e o momento derradeiro da aplicação do poema do pablo neruda que já aqui publiquei tantas vezes:

"Quem morre?

Morre lentamente
quem se transforma em escravo do hábito,
repetindo todos os dias os mesmos trajectos, quem não muda de marca
Não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente
quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente
quem evita uma paixão,
quem prefere o preto no branco
e os pingos sobre os "is" em detrimento de um redemoinho de emoções,
justamente as que resgatam o brilho dos olhos,
sorrisos dos bocejos,
corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente
quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho,
quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho,
quem não se permite pelo menos uma vez na vida,
fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente
quem não viaja,
quem não lê,
quem não ouve música,
quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente
quem destrói o seu amor-próprio,
quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente,
quem passa os dias queixando-se da sua má sorte
ou da chuva incessante.
Morre lentamente,
quem abandona um projecto antes de iniciá-lo,
não pergunta sobre um assunto que desconhece
ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves,
recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior
que o simples fato de respirar. Somente a perseverança fará com que conquistemos
um estágio esplêndido de felicidade."

(Pablo Neruda)

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this week I took one of the most important decisions of recent times in my life. I've broke a cycle in which I lived for several years and dared to start again from scratch. it was not a decision part of any new year's plan, or a consequence of an emotional moment, but the end point of many years not being happy with myself and its consequences.
and now I feel as if life were to give me a second chance, a fresh start, the possibility of being and living a better existence, but at the same time I feel like carrying an empty bag.
many years of learning and experiences made me who I am today, but for the future I still do not know what I will take with me. not even how I will fill in the luggage and where it will take me for the next years.
the expectation brings me goose bumps which is good, but also doesn't let me eat:)
for those who follow or knows me this is the culmination of many posts and thoughts and the final application of the 'Pablo Neruda' poem that I've published so many times:


"Who dies? Dies slowly...
He who becomes the slave of habit, who follows the same routes every day,
who never changes pace, who does not risk
and change the color of his clothes,
who does not speak and does not experience, dies slowly.
He or she who shuns passion, who prefers black on white,
dotting ones “is” rather than a bundle of emotions,
the kind that make your eyes glimmer, that turn a yawn into a smile,
that make the heart pound in the face of mistakes and feelings, dies slowly
He or she who does not turn things topsy-turvy, who is unhappy at work,
who does not risk certainty for uncertainty, to thus follow a dream,
those who do not forego sound advice at least once in their lives, die slowly.
He who does not travel, who does not read, who does not listen to music,
who does not find grace in himself, dies slowly.
He who slowly destroys his own self-esteem,
who does not allow himself to be helped,
who spends days on end complaining about his own bad luck,
about the rain that never stops, dies slowly.
He or she who abandons a project before starting it,
who fail to ask questions on subjects he doesn’t know,
he or she who don’t reply when they are asked something they do know, die slowly. 
Let’s try and avoid death in small doses,
always reminding oneself that being alive
requires an effort by far greater than the simple fact of breathing.
Only a burning patience will lead to the attainment of a splendid happiness.
(Pablo Neruda)

5 comentários

  1. adoro este poema! já te sigo há algum tempo e fico honestamente feliz por te sentires cada vez melhor no teu caminho. também eu luto por isso e só agora começo a perceber por onde ir...acho que te compreendo muito bem!

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  2. Sílvia, que esse novo destino te sorria!

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  3. Bolas. Não podias ter publicado poema mais adequado que esse hoje. Se tivesse lido isto à meia hora, tinha-me limitado a meter um link para aqui.... Em que livro está este poema?

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  4. ao passar pelo fine little day descobri o link deste seu blogue ... que bom !!! hei-de cá voltar ***

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  5. "Só existem dois dias do ano em que nada pode ser feito, o dia de ontem e o dia de amanhã.
    Portanto hoje é o dia certo.
    Sonhe, acredite e principalmente FAÇA."

    Dalai Lama


    Acho que estamos a passar um momento parecido...

    Força Silvia!
    Enche o peito de ar fresco e arregaça as mangas! Felicidades!
    ;)

    bj

    Claudia

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