da vida

7.4.14

7.4.14
Ontem morreu o Manuel Forjaz.
Apesar dos seus desejos, não consigo deixar de ficar profundamente triste.
Vou sentir falta de seguir os seus posts no FB, do seu pensamento sempre de olhos postos no futuro, do positivismo, da força, das palavras sempre pertinentes, mas acima de tudo vou sentir falta da esperança que ele me dava na vida, por estar doente, o tempo todo que ele esteve e continuar a viver.
E eu, em certos momentos ficava com uma esperança de que afinal o cancro pudesse não ser aquilo que eu penso que é.

O meu pai e a minha mãe morreram de cancro.
Mas em minha casa nunca ninguém falou sobre a doença enquanto a viveu. O meu pai não chegou a saber que a tinha e a minha mãe nunca o conseguiu fazer, talvez pela medicação e pela dor que lhe foi atenuando todos os sentidos. Eu que a vivi intensamente confesso que também não o sei fazer (por isso raramente partilho aqui pensamentos ou experiências daquilo que vivi, não porque não ache que seria muito válido para outras pessoas, apenas porque não consigo).
Ler o Manuel Forjaz era como uma catarse daquilo que nunca se disse, nunca se pensou, nunca se falou, da vida, da morte e acima de tudo do medo.

A ele, um muito obrigada e um até sempre.
Aos meus, o meu coração continua a ser pequeno para tanta saudade, um até já.

10 comentários

  1. porque a morte nos atravessa de um lado ao outro, porque não há palavras ditas que nos mudem o que o coração nos grita. tanta saudade que nos deixam pessoas como ele e pessoas que amamos profundamente, tanta saudade...

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    1. Obrigada querida Vanessa:) a dor faz parte da vida...

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  2. gostei de ler isto, sílvia.
    há dores que não se entendem e não se explicam. o meu pai nunca falou da doença nem no que havia de vir [a morte]. na altura custou-me a entender. hoje percebo que, afinal, foi um ato de coragem. talvez. sei lá bem...
    fazem-nos falta. todos os dias. não é?

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    1. Obrigada Ana! Debato-me muito com a quantidade de coisas que não entendo, reacções e formas que nunca cheguei a perceber, tento não pensar muito nisso, mas acabo sempre agarrada a elas. E sim, é um buraco nas nossas vidas, daqueles sem fundo...

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  3. Na minha família o cancro mata e é atroz. Não consigo associar a doença à esperança. Talvez seja ainda dor que não passou. Talvez nunca passe. A morte é uma merda. O cancro também. E mais do que isto não consigo dizer. E isso também é uma merda.

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    1. Eu também não, por isso gosto admiro quem o faz...

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  4. apetecia-me abraçar-te muito agora =)

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  5. Na minha família biológica e de amigos, o cancro por vezes mata e outras vezes não... há coisas que já não procuro entender... concentro-me naquilo que posso fazer por cada um deles enquanto estão comigo e ... sim, por vezes, há esperança. Saudades? Sempre.
    Beijinho

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