histórias de uma casa velha
27.7.11




querida maura,
este ano não fiz nada por ti! demasiado absorvida e cansada pela energia de uma criança de 3 anos e as necessidades de outra de 4 meses, não consegui atender a nenhuma das coisas que planeava fazer.
as cadeiras de rotas ficaram ainda mais rotas e as pinturas que vão descascando desaparecem ainda mais. o que é mais difícil de aceitar é que todo o trabalho que já investi em ti não perdura no tempo. os problemas reaparecem e alguns nem sei como os ultrapassar. tens muita sorte maura, porque eu tenho um fraco por coisas velhas e a cair e pelo passado e histórias que muitas vezes não são minhas. vejo nas coisas velhas dos outros memórias que eu gostaria de contar e muitas vezes ligo-me a elas como se da minha vida se tratassem. contigo é assim, gosto de cada quadro e cadeira velha, fotografia antiga, barco retirado do lixo...é como se ao olhar para eles encontrasse as histórias das pessoas que perdi...
a 'cena' da estrela
17.7.11

estas frases estão por todo o lado: 'keep calm and carry on', 'yes, we can', livros do 'deepak, os 7 e os 23 mandamentos para ser feliz, ter sucesso, parecer bonito, mais magro, mais novo...e agora apetecia-me escrever assim algo bem à moda do porto aqui no blog que iria mandar estas tretas passearem para um sítio especial, já imaginaram? OK, agora que nos entendemos podemos continuar...
é isso, apesar de reconhecer que trazem inspiração momentânea e que por vezes transmitem exactamente o que pensamos, a maioria só serve para alimentar assunto e para dar trabalho a algumas pessoas que se dedicam a fazer formações de comportamento!
porque na prática não é nada disto. a realidade sobre a nossa capacidade de atingir coisas na vida não tem nada a ver com estrelas, nem com meditação nem pensamento positivo, tem geralmente a ver com trabalho, talento e alguma grande dose de sorte. sim, pura e simples sorte...
e agora vou ali arrumar a cozinha, porque enquanto estive para aqui a meditar sobre a vida não tive com certeza a sorte de a louça se ter evaporado! apesar de eu acreditar com toda a força do meu ser que vou chegar lá baixo e alguém me vai dizer 'querida, pareces cansada depois de lavar, alimentar e deitar duas crianças, vai tomar um banho de imersão em pétalas de rosa que eu trato disto'...ahahaha...bem, posto isto, estou no ir:D
fly me to the moon
15.7.11



este bando vai rumar comigo ao sul e vai dar cor e vida a uma das paredes caiadas da nossa casa branquinha!
as andorinhas azuis e a amarela são da saudade em sintra, lindo café que eu ainda não conheço pessoalmente, mas que pelo qual já me apaixonei há muito. as andorinhas pretas são da já famosa loja 'a vida portuguesa' e as brancas, lindas e singelas no meio das outras maiores são da talentosa paula valentim da otchipotchi.
acho que não vou resistir a construir um bando colorido aqui para a minha casa de todos os dias que bem precisa da cor e da inspiração, para proporcionar novos tempos por cá.
quanto a voar até à lua, está visto porque é que eu nunca chego lá, ando a pedir os desejos às pessoas erradas, quem pensaria que uma andorinha nos levaria até à lua?
"Fly me to the moon
Let me sing among those stars
Let me see what spring is like
On jupiter and mars
In other words, hold my hand
In other words, baby kiss me
Fill my heart with song
Let me sing for ever more
You are all I long for
All I worship and adore
In other words, please be true
In other words, I love you"
a loja de estar vai de férias
14.7.11

é isso mesmo, de 18 a 30 de Julho a loja de estar vai a banhos e por isso deixará as suas encomendas em banho-maria até ao dia 01 de agosto, quando voltará salgada e pronta para enfrentar novamente as filas dos CTT! isto é como quem diz, que as portas continuam abertas, mas as encomendas colocadas neste período serão enviadas apenas no dia 01 de agosto.
já aqui o blog das raparigas continuará sempre no activo, até porque ele não trabalha propriamente dito, por aqui é mais "passear contigo amar e ser feliz"....ahahaahahah...NOP! mas já agora que me lembrei desta música épica, vou mesmo ter de partilhar:
rumo ao sul
12.7.11

farta e cansada de um pouco de tudo por aqui, só me apetece rumar ao sul, à nossa linda casa, ao sol quente e ao mar azul.
sei bem que enquanto mãe de 2 crianças tão pequenas a noção de descanso é apenas mental, nunca física e por isso já sei ao que vou (voltarei mais cansada do que estou, mas tudo bem).
este ano o único objectivo que tenho para a 'maura' é arranjar estas 4 cadeiras. simples, mas no entanto difícil!
quanto ao sul, e ao algarve especificamente, estou farta de ouvir os portugueses snobs constantemente a desdenhar desta parte de portugal. parece que de repente, é algo menor procurar o sol algarvio.
tem confusão no verão? tem
turismo? claro e ainda bem
construção desordenada? não mais do que no resto do país
mas também tem um cheiro bom especial à terra e à sua vegetação específica e que eu tanto gosto
a melhor comida do país (para quem sabe aonde ir)
sítios de uma beleza inigualável (e muitos!)
uma arquitectura popular linda e colorida
bom artesanato
pequenas cidades preservadas no tempo
e aquele calor, sol bom e amarelo que sabe bem e aquece o corpo e a alma
e pronto, deixem-nos em paz, a nós os parolos que gostamos de cornetos e praia:)
...e a mim, nascida no algarve e com raízes e memórias dos melhores momentos da minha vida passados junto a uma alfarrobeira muito especial!
the greatest gift
6.7.11

nada melhor do que um belo desenho para alegrar as paredes cá de casa e clarificar o cérebro enchendo-o de cor e optimismo, como só um campo de papoilas o sabe e pode fazer.
obrigada hugo pelos desenhos, a que chamas de "rascunhos" para fazer este lindíssimo header aqui do meu blog e a que eu chamo de obras de arte!
'made my day'!
otchipotchi + sol + tecidos = otchipotchi summer hats
5.7.11





é esta a combinação perfeita para criar esta bela colecção de chapéus, perfeitos para o sol e para a praia.
da otchipotchi em exclusivo para a loja de estar, em edições muito limitadas (muitos dos tecidos são vintage)!
do teatro, das mulheres, da música, da poesia e da paixão
29.6.11

"casas abandonadas, suspensas no tempo, fundidas com a natureza. Abrigos, refúgios, casulos, ventres. Mulheres-casa-mãe. Fiadeiras e tecedeiras. Aranhas, ovelhas, bichos-da-seda. Fios e novelos. Dobadoiras e teares. Cantos de trabalho e canções de embalar. Baloiços em sonhos imensos."
(excerto da sinopse do espectáculo Casa Abrigo da companhia Circolando)
este foi um espectáculo que vi há uns anos atrás e adorei. hoje, diz-me mais do que nunca, identifico-me com cada palavra, som, gesto e expressão destas mulheres.
do teatro, tenho um mar de saudades, mas há uma coisa muito especial de que sinto grande falta. de pessoas apaixonadas. a paixão de um fazedor de teatro é algo incomparável, que não vejo em muitas pessoas. a capacidade de entrega, a obsessão, o gozo e a alegria, o trabalho de repetição, tudo, mas tudo pede muita entrega e um brilho especial nos olhos. sem isso, faz-se muito mau teatro!
quanto mais velhas as pessoas vão ficando, menos paixão e entrega lhes encontro nos olhos e no coração. o que move o mundo são questões "maiores" e lugares comuns de felicidade nos quais não encontro qualquer tipo de emoção.
sobre o espectáculo acima, podem ver-se excertos de filmes e da música aqui. se por acaso algum dia passar numa rua perto de vocês, não percam...
olhó cesto...
27.6.11




é pró menino e prá menina
é para levar a merenda e o guarda sol
o ipodes e o padas
mandar estilo na passadeira
enfeitar a barraca e a mansão
são os cestos da loja de estar menina
é pegar ou largar
que eles já estão a começar a voar!
♥♥♥
24.6.11
desde que me deparei com este vídeo no FB que ando maravilhada com o trabalho da helen rodel! crochet puro, simples e bonito!
flower day
21.6.11




(andorinhas de otchipotchi na loja de estar e napperons da loja de estar)
gostava de vos dizer que cá em casa existe um dia em que apanhamos flores no jardim e colocamos por toda a casa...mas não é verdade. no meu jardim crescem ervas e uma tentativa recente de sardinheiras vermelhas que dia para dia estão menos vermelhas!
pois, cá em casa o flower day é quando a avó mais velhinha de todas patrocina. é que em casa dela as flores trepam por todo o lado e existem em várias cores e feitios. é engraçado ver que não existe qualquer tradição de colocar flores frescas dentro de casa da minha avó. ela planta flores e mais flores essencialmente para o cemitério e para patrocinar as suas netas, claro!
e sobre os cemitérios e este acto de colocar lá flores frescas todas as semanas eu poderia escrever aqui várias linhas...marcou a minha infância e adolescência e foi assim que eu aprendi grande parte do vernáculo de asneiras insultuosas à vida em geral, com a minha mãe, que a partir de determinada altura deixou de ter qualquer pudor em dizer o que lhe ia na alma à nossa frente.
'mãe, podes estar descansada, que nenhuma, mas nenhuma destas flores é para o cemitério e também nunca lá vou visitar quem lá não está.
faço exactamente como me ensinaste! sou uma boa filha.'
house by the sea: the end





do nº 7 daquela rua não restou nada. da casa amarela com portas vermelhas a espreitar o oceano, nem uma pedra ficou para evocar memórias. limpo, foi tudo limpo. limpo e pronto a tornar-se em mais um espaço de especulação imobiliária, pronto para receber uma moderna casa de formas rectas e piscina nas traseiras. ficaram as suas imponentes palmeiras, com muitas dezenas de anos de vida, que com certeza aumentam mais uns pontos ao valor do terreno que ali ficou, limpo...limpo da sua linda casa amarela.
aqui nunca mais ninguém se vai sentar nas escadas a ver o pôr do sol, nem o portão vermelho de contos de fadas se vai abrir para as crianças e os cães. aqui não vai haver nenhuma avó a ler um livro, nem caras banhadas de sal no meio das flores e das árvores. aqui nunca mais vou conseguir sonhar com senhoras de chapéu e cadeiras de praia, com limonadas frescas e sardinheiras vermelhas.
eles vieram e levaram tudo. acabou. agora nem atravessar o oceano será suficiente para nos juntar alguma vez na vida.
adeus.
house by the sea [1]
house by the sea [2]
das limonadas e outras coisas que tal...
19.6.11




estava eu ontem por aqui a fazer tentativas de fotografar as peças da colecção alma gémea para a loja de estar, e a pensar que muitas pessoas nesta altura do ano já não beberiam chá, mas que poderiam usar os bules para servir refrescos. lembrei-me então da melhor limonada que já bebi, há coisa de quase 2 anos no pois café em lisboa. limonada austríaca, era como lhe chamavam. já 'googlei' a receita mas não encontrei nada, por isso não poderei aqui descrever de que era feita. só sei que era bem mais refrescante do que a tradicional portuguesa sem ser tão doce. aliás, desse café fiquei com uma boa impressão do espaço, mas principalmente da comida! a limonada, a sandes e os bolos...inesquecível.
qual não foi o meu espanto quando percebi que o negócio está para venda. não apenas o espaço, mas a continuação do próprio negócio em si, que pelos vistos tem vindo a consolidar uma clientela regular e afluente. bem, fica aqui a sugestão para quem está em lisboa e à procura de um negócio 'life changing' e também muito cansativo (ter um café deve ser muito duro!).
e enquanto pensam no vosso negócio de comida podem inspirar-se com louça à medida, com a colecção alma gémea na loja de estar, cujo stock está de novo disponível e com mais uma cor: o lilás.
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