da maternidade

3.3.14

3.3.14
#miudasgiras #rua #praia #aguda #ligia Eu sou a mãe que sou eu sendo mãe.
Não tenho classificação possível para esse meu papel, porque é uma coisa natural tal como sou eu sendo mulher ou sou eu sendo humana.
Não sei se faço melhor ou pior do que outras, e pouco me interessa como as outras o fazem, porque outras mulheres não sou eu.
Amar incondicionalmente os nossos filhos é um lugar comum, poucos não amam, se bem que haverá quem o faça de formas diferentes.
A verdade é que ultimamente questiono-me quanto a muita coisa, ando a passar uma fase complicada cá em casa (5 anos + 2 anos) e sinto que a paciência que tenho para lidar com as birras e implicâncias diárias é pouca, muito pouca, e depois das discussões, dos castigos, dos choros e das birras, sinto-me a pior de todas as mães num ranking que nunca consultei.

Para mim não há fórmulas, há que ir passando as fases uma a uma, como podemos e sabemos. As minhas duas filhas são muito diferentes e percebo que são diferentes se sozinhas ou juntas.
Hoje ou ler o post do practising simplicity lembrei-me disso mesmo, principalmente ao que à mais velha diz respeito, ela precisa de algum tempo só para ela. Tempo em que não estejamos a tentar resolver conflitos com a mais nova. E até mesmo esta, que é muito mais rebelde e difícil de controlar, talvez gostasse de sair a solo um ou outro dia. E fazia-nos bem, tenho a certeza.
Mas o tempo é aquela coisa lixada que nos está sempre a escorregar por entre os dedos. E por isso a minha filha me pergunta, 'porque são todos os dias iguais?' e a única resposta que me ocorre é dizer algo estupidamente adulto do tipo 'é a vida filha, é a vida'. Lá vou tentando relembrar-lhe coisas que vamos fazendo, que por vezes achamos que são uma grande coisa e que eles esquecem em menos de uma semana. Crianças e adultos têm uma noção de tempo e de presente/passado/futuro muito diferente.

Para o ano vem a escola primária e uma sensação muito estranha de que estamos perante uma super decisão, quando escolhemos a escola para onde vão. Ouço falar de futuros tão distantes como a universidade, o que vai ser quando crescer, quem serão os seus amigos, etc, etc, que fico a explodir em conceitos e preocupações de uma sociedade complexa, exigente, que coloca os filhos num pedestal e prepara cuidadosamente todos os momentos das suas vidas.

Gostava de viver num país em que só existisse a escola pública, igual para todos, com as melhores condições que o país pudesse dar e que fosse lá que cada um crescesse e se formasse de acordo com as suas vontades e aptidões. Esta crescente entrada do privado na educação deixa-nos num limbo, e a eterna questão de que 'será que o dinheiro tudo pode comprar'?
Eu quero acreditar que não.


6 comentários

  1. Um conselho de quem tem muitos, tirar tempo a sós só com um filho de cada vez faz muito bem a eles e a nós. Cá em casa só assim conseguimos ouvir todas as rajadas de perguntas e conseguir responder a todas. Sentimos mais o "dever cumprido" de explicar, conversar, observar apenas aquele filho. E eles ficam super felizes e até nos surpreendem, vais ver. E nem é preciso ser um programa longo, um passeio a pé perto de casa para is buscar o pão ou tomar café e uma miniatura (é o que faço mais vezes), ou então uma ida à baixa numas comprinhas só com a mãe ou o pai :). Uma sugestão que por cá tem resultado, beijinho grande e força que bem sei como te sentes pois esses dias e momentos acho que vamos ter sempre :) mas podem ser colmatados da forma como te disse por exemplo.

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  2. gosto tanto de te ler e aprender, aprender, aprender....! :)
    imagino q custe...mas tenho para mim q deves ser uma excelente mãe!

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  3. Olá Sílvia, o tempo a sós com cada filho é uma prática corrente cá em casa desde que as miúdas eram bem pequenas, eu sempre tive uma relação complicada com o facto de ter gémeas e então tiramos muitas vezes um tempo com cada uma, pelo menos eu faço imensos programas com cada uma. Ajuda. Quanto à questão das escolas... as minhas miúdas fizeram o 1ºciclo numa escola privada, da misericórdia aqui em Cascais porque tem o método Escola Moderna mas ao 5ºano foram as três para a escola pública. A escola é má, os horários difíceis de conciliar e o que sinto é que necessitam de muito do meu apoio, a vários níveis. Sempre defendi a escola pública mas agora percebi na prática a coisa não funciona nada bem, pelo menos aqui. Podia ficar aqui horas a fazer queixas da escola... mas o importante é ter noção das nossas opções, aqui optámos por uma família numerosa e uma mãe o mais disponível possível. Há dias muito difíceis, outros... não. Ser mãe é tramado.

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  4. Eu tenho um de 11 e uma de 2. :) os 11 já me ensinaram muita coisa, principalmente sobre mim e sobre a sociedade em que vivemos. Tenta não dizer (nem a ti nem a elas) "é a vida" - diz antes, é a sociedade actual. :)
    Vai ao Google e procura por Ana Thomaz. Eu descobri-a agora e ela veio ajudar-me muito a ter mais confiança em mim, naquilo que acredito, na minha vida.

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  5. Digo WOW ! WOW porque o teu texto, como sempre, diz muitas verdades que mexem comigo ... sobretudo o que diz respeito ao ensino público, coisa que cà em França continua, apesar de tudo - política, crise, dinheiros, evoluções da sociedade, desejos dos pais- a funcionar como deve ser ... acho. Hà quem diga por cà que não presta, que antigamente era melhor, que a escola privada é melhor ... mas ainda temos este 'luxo' de ter acesso à escola pública !

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  6. "fico a explodir em conceitos e preocupações de uma sociedade complexa, exigente, que coloca os filhos num pedestal e prepara cuidadosamente todos os momentos das suas vidas."

    Todas ficamos a ponto de explodir, eu tenho tantas duvidas, então tnto não programar a vida deles baseada nas minhas expectativas, muito menos baseada nas expectativas de um mundo que não reconhece a humanidade das pessoas.
    Onde as crianças carrregam o fardo de esperança, para que talvez não tenhamos que fazer nada, estamos criando filhos para resolverem nossos problemas no futuro?
    Sei que é assustador falar assim, mas acho que eles merecem mais leveza, e a cada dia brigo pra equilibrar essa leveza com a autoridade de mãe, e como é difícil Silvia, ser mãe, trabalhar, compreender cada um deles, tão diferentes.
    Às vezes piro com essas fórmulas prontas sabe, de como fazer os filhos dormirem a noite toda e no berço, ou de como melhorar seu desempenho na escola, mas aí me deparo com todas as obrigações, e com aquelas carinhas pedindo mais passeios, mas festejos, mas cócegas... e esqueço todas as fórmulas, nada parece organizado, e só consigo mesmo é levar tudo com muitas piruetas.
    Admiro sua sinceridade, o mundo fala do nosso papel de mãe como se tivéssemos que ser perfeitas, tavez por alguns momentos esqueçam que somos humanas.

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