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quem muda se auto ajuda

10.9.15

Quem segue ali o Muda de Página, já deve ter reparado que ele 'mudou de página'. Uma mudança que era desejada há muito, mas, e como sempre com a pressão do 'tem mesmo de ser', apenas consegui ter pronta no último dia de Agosto.

Estas coisas de mudar páginas web, têm tanto de giras como de duras e representam geralmente uma evolução. Uma evolução pequena, mas muito útil, pois permitem a pessoas como eu, com pequenos negócios, olhar a 'big picture' de vez em quando.
E é tão difícil afastarmo-nos do nosso trabalho e olhar para ele de forma objectiva. Ver o que já foi feito, o vale a pena manter, o que tem de ser mudado, e o que vai desaparecer.
Não é por acaso que são os trabalhadores independentes, empresários em nome individual, criativos e outras profissões que muitas vezes são feitas a solo, os que mais dificuldade têm em escalar nos negócios, porque entre o fazer e o gerir vai uma distância muito grande.

Coincidentemente uns dias antes de lançar o novo site arrumei o meu escritório, ou seja, tirei Kg de tralha para fora, separei muito lixo, e voltei a arrumar com apenas aquilo que me fazia falta para trabalhar. Não comprei, não 'decorei', apenas limpei. A sala de tão vazia até fazia eco nos primeiros dias. Foi muito estranho. Hoje é muito bom.

No Muda de Página é igual. Esta mudança fez-me olhar para o meu próprio trabalho, perceber aquilo em que sou boa, com o que é que posso ganhar dinheiro e identificar o que me faz consumir demasiado tempo com pouco retorno ou motivação.
Há que pensar um caminho e segui-lo.
Não é preciso ser algo muito complicado, com planos de negócio e objectivos estratégicos, mas é importante saber o que é bom para nós e para o nosso negócio. O que nos faz sentir recompensados, motivados e felizes no trabalho. No meu caso não é necessariamente o crescimento, mas mais a eliminação da sensação de estar sempre no limite do esforço. Adaptar a procura com o que tenho para oferecer.

Estou muito, muito contente com o resultado final. O 'manifesto' que escrevi na página de entrada é tudo o que sinto sobre o meu trabalho, a página sou eu, sem modas ou influências, o meu trabalho, os resultados e aquilo que me proponho fazer.

E para quem se fica a perguntar aqui sobre o meu blog, sim, também vai ter direito a casa nova.
A seu tempo...



A mania das comparações

11.8.15

Nunca me interessei muito pelas estatísticas dos blogs e das redes sociais e não me influenciam páginas com muitos ou poucos seguidores quanto analiso a sua qualidade e interesse. Isso aplica-se ao FB, ao IG e aos blogs. Analiso outras coisas como a qualidade da escrita, a genuinidade e originalidade dos assuntos, as opiniões pessoais, os estilos de moda originais.

No Muda de Página percebo que cada vez mais há a preocupação de como ter muitas visitas, aumentar os likes por fotos, seguidores do IG, 'ter mais fãs do que...' . (o conceito de fã faz-me alguma confusão).
Mas compreendo perfeitamente, é este hoje o 'mercado' dos bloggers. Não acho no entanto que deva ser o primeiro objectivo de nada nem de ninguém e tento orientar as pessoas a encontrar a 'sua voz', um estilo próprio e uma presença genuína porque como ouvi ontem num programa sobre o youtube a 'a realidade supera sempre a ficção' por isso algo que é orgânico será sempre melhor do que algo fabricado.

Hoje o Seth Godin escreveu sobre isso. E eu não podia concordar mais, ora vejam:

Without a doubt, there's someone taller than you, faster than you, cuter than you.
We don't have to look very far to find someone who is better paid, more respected and getting more than his fair share of credit.
And social media: Of course there are people with more followers, more likes and more of just about anything you'd like to measure.
So what?
What is the comparison for?
Is your job to be the most at a thing? Perhaps if you play baseball, the goal is to have the highest on-base percentage. But it's probably more likely that you should focus on the entire team winning the game.
Just because a thing can be noticed, or compared, or fretted over doesn't mean it's important, or even relevant.
Better, I think, to decide what's important, what needs to change, what's worth accomplishing. And then ignore all comparisons that don't relate. The most important comparison, in fact, is comparing your work to what you're capable of.
Sure, compare. But compare the things that matter to the journey you're on. The rest is noise.


[a fotografia que ilustra este post é da autoria de Jóni Silva, a sortuda a mergulhar nas nuvens, sou mesmo eu]

das pessoas

31.12.14

Sei bem que já todos lemos resumos do ano velho e desejos para o novo.
Eu por aqui não sou pessoa de listas nem de rever a matéria dada.
Sei que me esforcei para caraças o ano todo. Sei que nem tudo correu bem, mas a maioria das coisas foram mais do que boas.
É tempo de deixar para trás e esquecer o que correu mal, porque tudo o que interessa está aqui e agora.

Acabar o ano na 'internet' com este post da Mar é tudo o que eu poderia desejar por estas andanças virtuais. Desejo concretizado.

Agora vou ali para a festa de carne e osso.

Bom ano pessoas bonitas!

these days

14.4.14

Sei que devem estar fartos que eu fale de trabalho, gostava de vos levar por viagens exóticas pelo mundo mas o mais longe que as minhas fotos do insta me/nos levam é ali ao rio Douro e aqui à praia de casa.
É a vida.
Sempre cheia de trabalho, sempre atrasada em tudo e mais alguma coisa, caixa de correio cheia de mails, coisas para fazer que nunca ficam completas.
Esta é a constância dos meus dias e por mais que tente parar ou correr para superar o ritmo, nunca lá chego, por isso mais vale um dia de cada vez, com calma e com uns gelados pelo meio.

Andam a acontecer coisas giras, como esta parceria de que falo no Muda de Página, outros blogs que têm ficado 'vivos' e que ainda não divulguei e um desafio que entretanto pode ser que surja, e que me iria dar um mega gozo. Mas está tudo no segredo dos deuses e na complicação do mundo dos negócios.
E uma boa semana para todos!

jonisilva.com

14.2.14

Hoje o Jóni faz 32 anos e (finalmente) está online com o seu novo blog!
Por isso e antes de mais, parabéns ao Jóni pelo aniversário, mas também pelo novo espaço que eu sei nos vai agradar e surpreender a todos.
O Jóni é um perfeccionista, por isso para ele, criar o seu blog foi um processo longo e demorado, porque ele pensa e analisa todos os detalhes. A imagem e a simplicidade eram essenciais para ele, mas também mostrar ao mundo quem ele é e o que gosta de fazer.
Eu deste lado fui dando uma ajuda na parte técnica, escrevi sobre ele no about, mas essencialmente na motivação de fazer avançar este espaço. Estou muito contente que hoje ele tenha colocado a sua página online. É o dia em que faz 32 anos, mas também em que inicia um processo de partilha do seu universo com os outros que eu tenho a certeza que vai valer muito a pena acompanhar!
Parabéns Jóni!

www.jonisilva.com

a criatividade precisa de ser alimentada

11.2.14
Houve dias em que vi 2 arco-íris, agora só vejo cinzentos, vários tons de cinzento regados a pingas de chuva. #saopedroestasdespedidoTrabalhar com as ideias nos vastos e solitários campos da criatividade, tem sido um dos maiores desafios dos últimos tempos da minha vida.
A criatividade não são bolhas de ideias que saltam da nossa cabeça, é trabalho, é paciência, é persistência, tentativa e erro...até que...pamba!

Ainda bem que comecei a pedir às minhas clientes uma banda sonora para acompanhar os seus trabalhos, elas não sabem, mas isso não me ajuda apenas a conhecê-las melhor, mas sim a alimentar o meu cérebro!
E entretanto parece que o sol resolveu vir dizer olá!

Também tenho a sorte de ter clientes cheias de bom gosto:

 

fazer blogs também tem destas coisas

19.12.13
Fazer blogs também tem destas coisas. (Post no blog silviasilva.com) Café, pensam vocês.
É verdade, voltei a beber café em jeito de vício, de combustível para parecer que tenho mais energia, para parar, para definir momentos do dia em que 'depois do café é que vai ser'.
Mas não era isso que eu queria dizer. Esta chávena chegou ontem no correio e foi pintada pela Rita Marafuz a quem fiz um blog lindo que entretanto vou mostrar no Muda de Página.
São pequenas surpresas, já não é a primeira vez, em que as pessoas depois de receberem o seu blog, gostam de me enviar uma recordação. Eu fico feliz, não só pelo presente (claro!) mas principalmente por sentir essa proximidade que se vai construindo enquanto eu olho para estas 'personas' digitais e vou tentando encontrar a sua linha condutora, o seu perfil, aquilo que lhes é genuíno e natural para poder construir um blog com que elas se identificam. E às vezes as pessoas identificam-se mesmo. Muito. Isto não é 'rocket science' nem eu sou designer de formação nem domino a técnica como um geek à séria, mas sinto que há algo no meu trabalho com que as pessoas se identificam, algo que é meu, que não é técnico, nem é profissional, é pessoal, e se há alguns meses atrás pensei que não ia conseguir 'mudar de página' hoje estou convicta que a minha mudança foi, mais uma vez, o melhor que eu podia ter feito.

Um bom dia para vocês pessoas, vamos lá ao trabalho que o Natal está aí e há muita coisa para ficar feita!

fazedores

6.12.13
É isto, um poster cheio de palavras de fazedores, relembrando a quantidade de gente que já passou pelo dinheiro vivo e falou das suas ideias, projectos e como fazem para fazer. 
Desde a entrevista do dinheiro vivo que o meu negócio já deu grandes reviravoltas e os meus objectivos alteraram-se e reajustaram-se, estando hoje num caminho que acredito e com que me identifico. Continuo por aqui devido a uma característica que tenho experimentado nos últimos anos e que se chama resiliência. Por isso esse é o meu conselho, que está ali na parte superior do poster e que eu acredito ser essencial para qualquer coisa que queiramos fazer da nossa vida. Obrigada Mariana Barbosa por nos dares esta oportunidade e por te lembrares sempre de nós!

been there, done that

4.12.13
Looking for some super powers:)
'You will be confronted overandoverandover with your fears, your insecurities, your crappy excuses, your limitations, your justifications, your shitty integrity, and your inefficient time management. The standard you held yourself to in the work-a-day world was good enough then, but it won’t be good enough to run your own business. And you will learn to accept yourself through all this because in order to get up every day and create, you have to. ' Stephanie St. Claire

Apesar de ter formação em gestão, não sou nenhum guru dos negócios. O meu trabalho no Muda de Página e outros projectos que já fiz, despoletam alguma curiosidade nas outras pessoas e por vezes sinto que a imagem que passa é muito 'deixei tudo para trás e abri um bar de praia e fui feliz para sempre'.
Mas está longe disso. Já pensei muitas coisas e enganei-me, tentei outras tantas e percebi que não dava, fui contornando e contorcendo-me para avançar e para não desistir. Sempre a contar com o apoio em casa (muitas vezes sendo também alvo de risota) e com uma boa dose de força de vontade aliada ao estado actual da nossa economia, que na maioria das vezes nos deixa uma solução óbvia: seguir em frente, que não há tempo nem espaço para filosofar muito.

Recebo tantos e-mails e perguntas de pessoas, sobre o meu percurso, e com algumas ideias completamente erradas, sobre o que é isto de trabalhar de forma independente, sozinha e na internet, que gostava de conseguir explicar melhor e de forma mais clara como tudo isto aconteceu e acontece. Mas a verdade é que não consigo, até porque ainda ando a reconhecer o caminho e a tentar avançar sem qualquer certeza ou método.
Mas não, isto não dá muito dinheiro e sim, faço outros trabalhos paralelos ao Muda de Página que me dão também gozo, permitem contactar com outras pessoas e equilibrar um pouco as coisas. Muitas vezes desejo um emprego das nove às cinco a carregar num botão, com um salário fixo, e muitas outras vezes sinto pânico de ter saído fora do carreiro e saber que depois é muito mais difícil voltar. Tenho saudades de ter as coisas compartimentadas na minha cabeça e conseguir desligar sempre que não estou presente, de distinguir trabalho de prazer e de encarar as coisas como um hobbie. Agora está tudo misturado e há dias que nem sei do que gosto ou não gosto de fazer.
Todos os dias vou resolvendo problemas, superando as minhas dificuldades e procurando soluções. Não planeei nada e não consigo dizer a ninguém onde vou estar daqui a 5 anos a não ser 'com a minha família', o resto são favas que ainda não contei. Tento gerir o meu stress da melhor forma e vou lançando alertas a mim própria sobre as coisas muito boas da minha vida. Dizendo sem medo e por vezes com escândalo dos outros que sou feliz.

Uma das coisas que me lembro de ouvir o meu pai dizer era: 'podes não saber o que queres, mas tens sempre de saber o que não queres'. E isso, aliado aos erros que vamos cometendo é precioso.

Há umas semanas atrás li um artigo da Stephanie St. Claire: '11 Things I Wish I Knew When I Started My Business' e identifiquei-me com muitas das coisas que ela fala. E, infelizmente, a maioria dos erros já os cometi. Não acho que para os outros que se querem 'lançar' por aí, saberem estas 11 coisas os vai impedir de cometer os mesmos erros que eu e tantas outras pessoas, mas pelo menos, podem rir e sorrir e sentir-se acompanhados nos erros normais deste tipo de percursos.

Cá vai (para ler o artigo completo, que vale bem a pena sigam o link):

'A lot of people like to fool you and say that you’re not smart if you never went to college, but common sense rules over everything. That’s what I learned from selling crack.' -Snoop Dogg

'Researching/studying/ reading other people’s blogs is a form of resistance. In order to get clarity, you must act. Clarity does not come by learning more, it comes by jumping in with your instincts and putting yourself out there, even if you don’t know exactly what you’re doing.'
 

1) Running the business is your first priority. This sucked for me because I wanted nothing to do with running a business. I just wanted to be a writer and a life coach who wrote and coached all day. I didn’t get it.
2) Ready to meet your soul mate? It’s you. Entrepreneurship is the most life changing relationship (like marriage or parenthood) that a person can have. You will be confronted overandoverandover with your fears, your insecurities, your crappy excuses, your limitations, your justifications, your shitty integrity, and your inefficient time management. The standard you held yourself to in the work-a-day world was good enough then, but it won’t be good enough to run your own business. And you will learn to accept yourself through all this because in order to get up every day and create, you have to. Somehow through that process of acceptance, while you’re busy putting yourself out there in spite of your flaws, your weaknesses will transform and you will fall in love with yourself. Not in the over-hyped “SELF LOVE 2012” way, but in a quiet way that sneaks up on you after witnessing a thousand splinter-sized moments of transcending the baser aspects of yourself.
3) Your trajectory for success will take as long as everyone else’s, even though you’re special and brilliant.
4) Running out of money is a common part of the journey.
5) Build a hybrid stream of income.  I finally came to terms with the fact that I was being obnoxiously naïve about how money, peace, survival, and timing all work together and I got a second job. By doing this, I supernaturalized my own path to freedom and self-sustainability. And since I wasn’t freaking out about money anymore, I liberated more creative real estate in my brain to apply toward my business.
6) Read Steven Pressfield’s Do the Work.
7) Spend less time researching, more time doing. Researching/studying/ reading other people’s blogs is a form of resistance. In order to get clarity, you must act. Clarity does not come by learning more, it comes by jumping in with your instincts and putting yourself out there, even if you don’t know exactly what you’re doing.
8) Only say yes to clients/collaborative projects that are HELL YESES.
9) You must devote time to becoming a brilliant marketer.
10) Email will be your new best frenemy. Your inbox will explode. You care about everyone, but you can’t help everyone. Read: Not everyone is your customer.
11) Number eleven is a hodge-podge: Do not work your business 7 days a week. From time to time, forget everything you know about the “right way” to run a business and run it like a neighborhood lemonade stand. 

palavras sem filtro

10.10.13
Eu vejo e leio muita coisa online, a toda a hora, todos os dias.
Algumas dessas leituras fazem parte do meu trabalho, outras são mero prazer, outras acontecem por acaso. O Facebook é a aplicação que nos traz mais palavras e imagens por minuto, sendo que o que o caracteriza é o facto de não escolhermos tudo o que lemos no nosso mural. Lemos de forma automática porque caiu em frente dos nossos olhos, não há tempo para muita selecção e não pensamos quase nunca no impacto, positivo ou negativo, destas palavras e imagens que nos entram pela vida dentro todos os dias.
Foi por isso que reparei com espanto que comecei a ter uma preferência por alguns posts que caíam no meu mural. Tirando os amigos e pessoas próximas que nos dizem algo mais pessoal, as muitas páginas de pessoas e projectos profissionais que seguimos acabam por se esbater nos milhares de pixeis de imagens que vemos e nas muitas letras que acompanham as conversas online.
Percebi que prestava uma especial atenção aos posts da Isabel Saldanha.
A Isabel Saldanha é uma fotógrafa muito conhecida, mas eu não sabia disso até investigar melhor, comecei a seguir a página dela por causa com certeza de alguma fotografia que gostei, mas foi e é nas palavras que colo quase todos os dias.
A Isabel escreve bem, muito bem, mas também não é a qualidade da escrita que me deixa feliz cada vez que vejo a foto de perfil da página dela aparecer no meu mural.
Em cada entrada que ela faz no Facebook, para além da fotografia, há sempre uma história. Da vida dela, dos outros, do que ela vê, do que ela pensa e sente. Uma história com princípio, meio e fim, que me deixa invariavelmente com uma expressão na cara: riso, sorriso, pensamento, melancolia. Qualquer coisa, mas nunca fico indiferente ao que ela me contou naquele dia.
Este post podia ser um post técnico em que eu vos tento exemplificar como se deve fazer para ter uma boa presença nas redes sociais, mas não é. Não é, porque isto que a Isabel faz não se aprende, não se coloca como lembrete na agenda, não se escolhe fazer para o ano novo. Faz-se.
As palavras da Isabel não têm filtro, ela não precisa de muito para as escolher porque lhe são naturais, porque as histórias que ela conta, ela vive e imagina, porque os sentimentos de que ela fala, ela sente.
E depois há a coragem, o momento em que escrevemos algo e nunca, mas nunca pensamos duas vezes antes de publicar, porque estas são palavras...sem filtro.

Se quiserem perceber um pouco do que vos digo podem seguir a Isabel e as suas histórias diárias aqui: facebook.com/isabelsaldanhaphotography

Mas não consigo resistir a deixar aqui 2 textos que a mim me tocaram especialmente em dois momentos diferentes, não os classificando pela sua qualidade mas pela magia de me falarem ao ouvido naqueles dias.
"Tenho uma amiga que quando me liga, costuma dizer sempre:
Estou te a ligar porque és a minha amiga mais feliz! Eu rio-me, agradecida. Sou feliz sim e quando não sou tanto assim, colo-me a ideia de que a tristeza é uma condição provisória, nem sequer lhe dou a importância de construir um abrigo, acho que quando nos defendemos muito o inimigo anima-se. Às vezes não percebo que haja tanta gente a viver numa consciência envergonhada de ser feliz, como se a tristeza fosse a maturidade da vida e um adulto feliz fosse um palhaço por disfarçar. Pouco me interessa se a alegria em excesso possa ser confundida com uma bebedeira em vida. Problemas toda a gente tem é um facto. Também nem toda a gente nasce com a sorte de ter um plug-in que dá "amonas" valentes a tudo o que tenta minar essa construção.
É inevitável, a tristeza irrompe sempre pela vida, o importante mesmo é não lhe dar conforto que chegue para se instalar. Como aquelas pessoas chatas que para apressar recebemos em pé.
Penso imensas vezes sobre as razões porque insisto tanto em ser feliz. Acho que à força de querer tanto já não sei ser outra coisa. E não tenho medo nenhum de o afirmar, porque também existem uns tantos teóricos da vida que acham que as coisas boas se guardam no cofre, eu prefiro saldar gargalhadas numa venda de garagem. Acho que é inegável que existe uma cumplicidade grande entre o sofrimento bem digerido e a maturidade. As melhores pessoas que conheço não são as tristes, são aquelas que digeriram a tristeza da vida e converteram isso em fermento de carácter. E essas pessoas, também não são aquelas que passam a vida a acusar a sua condição de orfandade para se fazerem grandes empoleirados na tristeza. São aqueles que choraram na altura certa, que deram o desconto ao sadismo da vida, que condescenderam desde novos com as incongruências do destino, que não desistiram dos seres humanos só porque nem tudo era perfeito, nem ficaram reféns na procura passiva do sentido de justiça. Essas são as pessoas TOP! São os amantes da vida. A malta que aprendeu a sacudir a poeira dos maus momentos com património de felicidade, são os que acreditam genuinamente nas pessoas e por isso ainda se surpreendem, são os que perceberam a dimensão do tempo e por isso conseguem viajar a partir de qualquer lugar. Essas pessoas que conheceram a evidência mais crua da vida são as que mais conseguem criar, são as que olham para uma planície árida e imaginam uma floresta imensa. Essas pessoas sentem-se responsáveis por animar o mundo, só porque se sentem agradecidas por serem animadas. Essas pessoas são guerreiras porque acreditam que o sentido maior da paz nasce na tranquilidade serena de aceitar que algumas batalhas da vida são feitas para perder. A dimensão do tempo é a dimensão da vida. O passado tem apenas o efeito edificante de nos lançar para o futuro e o presente é o lugar em que acontece tudo. Ninguém cuida muito das pessoas felizes porque elas parecem estar sempre bem. E as pessoas felizes sabem que têm que estar bem porque aprenderam a cuidar de si mesmas.
Não sei se sou a amiga mais feliz, mas sei que enquanto vou podendo, vou vivendo, sem medo, de ser apenas, feliz."


"Se procurasse nos álbuns, com sorte, talvez encontrasse uma foto enternecedora de um pai vintage com calças à boca de sino, camisa cintada de golas pontiagudas e uma criancinha loira com chapeuzinho de elástico na cabeça, sapatos ortopédicos e meias pelo joelho, que seria eu. Depois, punha uma legenda amorosa e era tudo mentira, porque um pai não se forja numa Polaroid, forja-se na presença dos dias, no impulso do carinho, na constância, no temperar da impaciência, na resiliência, na perspectiva de um futuro e no colo demorado. Não tive essa sorte, tive outras. O meu pai, da pasta só tinha o título. E como respeito o sentido etimológico das palavras desde que tinha idade para estar ao colo de um pai, passei a chama-lo "Senhor".
Que me perdoe o Senhor lá de cima que apesar de também aparecer pouco, dizem que quando dá os ares da sua graça, faz milagres. Sabia o que era um pai e tive um avó que desejei com muita força que tivesse o cabelo mais escuro para fazer as vezes de pai. Fiz me pessoa sem essa figura e não dramatizo, mas quando era criança, dava por mim a pensar qual seria o critério em falta para coxear como filha, pensei que isso estava lavrado no código das relações e quis denúncia-lo por incumprimento, mas o amor não se oferece a penas e cresci assim, forjando-me como sabia no amor a mim mesma. Mas vocês não loirinhas. Vocês tiveram a sorte de ter um pai à altura dos sonhos que tive para mim. E hoje quando dou por mim a invejar a forma voraz com que soletram Pai, dou por mim a pensar que o vosso amor próprio tem a dose certa do amor do pai e do amor desta mãe que recolhe muitas vezes ao quentinho do vosso colo para matar as saudades de uma fotografia que nunca conseguiu encontrar."

mudei de página

23.9.13
mudadepagina_header
É isso mesmo...mudei! De página, de domínios, de nome, de imagem. Mudei tudo!
E não podia estar mais feliz!
Amanhã explico melhor as mudanças por aqui e por ali, mas para já convido-vos a irem visitar a minha nova página aqui ao lado: 'www.mudadepagina.com'. Digam olá, bom dia ou até logo e façam comigo um brinde aos novos começos ao som do vídeo que vos deixo por lá.

Até já!