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'se se meterem contigo nunca respondas'

3.11.14
Já toda a gente viu este filme que circula pelas redes sociais. Já muita gente se identificou e outra tanta o condenou e ridicularizou. Afinal alguns homens apenas estão a dizer 'olá' à rapariga, não é? Pois eu concordo com o que a jornalista Fernanda Câncio escreveu nas páginas do DN e posso explicar-vos porquê.

Há muito que perdi a conta ao número de vezes que fui abordada por homens na rua com frases e gestos humilhantes e degradantes para mim enquanto criança, adolescente e mulher. Podia contar-vos muitas histórias, mas tenho a certeza que todas as raparigas que lêem este blog sabem de umas quantas. Para os homens que podem não entender bem, posso dizer-vos que em Portugal os piropos de rua são geralmente de cariz pornográfico.
E não nos ficamos apenas por palavras, há também gestos que incluem tocar em mulheres nos transportes públicos, há também o grupo de rapazes que persegue uma rapariga num local de diversão nocturna e que o que muitas vezes parece apenas uma brincadeira, por vezes se torna terror para a mulher em causa.

E o que acontece em todas estas situações? A mulher cala-se, encolhe-se envergonhada, corre e esconde-se do possível agressor. Sim, proferir palavras pode ser uma agressão.
E não diz a ninguém. Tem vergonha. Afinal, foi apenas um piropo. Não aconteceu nada. Segue as instruções de outras mulheres mais velhas que dizem: "se se meterem contigo nunca respondas".

Foi já na faculdade, a caminho da estação que passava repetidamente por um local, onde um homem, que podia ser meu avô proferia as coisas mais porcas que eu me lembro de ouvir, sempre de cariz pornográfico. Sempre que eu passava, quase todos os dias por ali. E muitas vezes mudei de rua, e muitas vezes encarei o chão fazendo de conta que não era nada comigo. E muitas vezes apanhava o comboio com a mesma sensação de enjoo. Será que aquele homem tinha família, filhas, netas?
Até ao dia. Passei. As mesmas palavras de ofensa. Encarei o chão, acelerei o passo. Parei. Respirei fundo. Voltei para trás. Dirigi-me a ele de cabeça bem erguida e bem maior do que ele. Perguntei-lhe com quem é que ele achava que estava a falar. Falei alto e com bom som. Pedi-lhe para repetir o que tinha acabado de dizer. Ameacei chamar a polícia. Todas as pessoas ouviram. Foi um momento embaraçoso. O homem fugiu com a passada de rato que o caracterizava. Eu nem sentia as minhas pernas de tão nervosa que estava.

A única pergunta que me fica na cabeça de todas estas ocasiões é: quem são estes homens? Porquê? E aos homens que lêem estas linhas e que não se identificam com a descrição que faço aqui do seu género, vocês não fazem a menor ideia do que uma mulher ouve e vê ao que ao assédio nas ruas diz respeito, porque se fizessem ficavam aterrorizados.

Escrevo isto aqui hoje, porque sou mãe de duas miúdas. A elas vou ter de lhes ensinar: "se se meterem contigo, grita!"




"eu não penso, não imagino, mas faço"

4.8.13

o passado presente

6.6.12
grandma love comes in colors
 
Quando visito a casa da minha avó venho recheada de amor em forma de flores, legumes, ovos e outras coisas bonitas, saborosas e boas. A minha avó já tem 85 anos e mantém a sua casa e terreno com todo o tipo de géneros alimentícios desde os legumes aos animais. Na casa dela sempre assisti a uma vida que se fazia quase ausente de dinheiro e compras de coisas. Tudo, ou quase tudo que se comia era plantado e criado, o que se vestia era feito e o resto...bem, não havia muito resto, porque a vida era assim mesmo, acordar, trabalhar na terra e com os animais, cozinhar, criar, dormir. Não havia ambição de mais, mas também não havia a preocupação com o menos.

E esta realidade ainda existe, está lá, para mim é uma coisa normal. E com esta realidade vêm muitas outras coisas que hoje são denominadas de tradicional, típico, modo de vida português, que de repente dá a sensação que está escondido em aldeias remotas de Portugal, mas não está, está em quase todo o lado que não seja Lisboa e Porto, mas como parece que Portugal existe apenas nestes sítios, tudo o resto se torna paisagem.

Está na moda este ser Português gourmet. O tradicional está na moda. Os produtos característicos portugueses estão na moda. Parece-me uma boa moda, sem dúvida, só que às vezes dá a sensação que se transforma algo tão normal e nosso num objecto de culto que adquirimos para relembrar uma vida fora do nosso alcance. E isso não é verdade. Esta vida é nossa, as galinhas de louça e os ditados portugueses em azulejo ainda estão nas nossas casas. O crochet povoa muita habitação portuguesa e o galo de Barcelos não é um elemento estranho para quase ninguém.
Parece que de vez em quando há uma meia dúzia de iluminados que decide intelectualizar coisas e hábitos nossos como sendo uma 'tradição' e de repente, aquilo que nos era normal e próximo torna-se objecto de estudo e de museu e de umas quantas recriações artísticas. Eu acho que pessoas como as minhas avós haviam de se rir muito de muita coisa que por aí anda. É que Portugal não é esse dos livros e das tradições, Portugal é a terra que fica a escassos Km da cidade, que não tem uma traça arquitectónica marcante, que tem um Pingo Doce mesmo ao lado e na qual a maioria das pessoas nunca pôs os pés numa Zara nem faz a menor ideia ao que sabem as comidas pré cozinhadas.

A tradição ainda é o que é.

dos limites da privacidade

26.4.12
dos limites da privacidade

De acordo com Eric Hughes, "privacidade é o poder de revelar-se seletivamente ao mundo." (via wikipedia).

Na internet, mais especificamente nos blogs e nas redes sociais, este é um conceito que todos dizem dominar. Todos achamos que só falamos do que queremos, que não publicamos as fotografias que não gostamos, que mostramos apenas aquilo que selecionamos como público. Mas será assim mesmo?
Quando o Facebook explodiu uma das coisas que mais me chocou foi a diferença entre as presenças online em blogs e as mesmas presenças online no Facebook. Tornou-se uma definição de privacidade completamente diferente, e a determinada altura parecia que no Facebook estávamos menos expostos do que nos nossos blogs. O que, na minha opinião, não é de todo verdade.
Por outro lado, nos blogs, quando escrevemos artigos de opinião, percebemos que as nossas palavras podem ter ecos diferentes em diversos leitores e que, muitas vezes, essas mesmas palavras/imagens serão utilizadas como exemplos bons e maus da expressão dos outros. E esta nossa opinião e imagem, que pode tantas vezes ser distorcida é nossa porque somos seus proprietários, ou a partir do momento que a publicamos online deixamos de ser os seus donos e temos de aceitar as suas variabilidades quando vistas e interpretadas por outras pessoas?
Uma fotografia pessoal pode ser encarada como uma forma de vaidade, de auto-promoção, de falta de gosto, pode chatear muita gente e agradar outras tantas pessoas.
A verdade é que as estatísticas revelam que são as fotografias pessoais e os posts de opinião que mais impacto têm na blogosfera.

Tudo isto são opiniões. Já não são privadas porque as coloquei aqui. Mas deixei outras que, para mim, fazem parte deste limite de privacidade que tento não ultrapassar. Mas esta sou eu. E vocês? Qual é o vosso limite de privacidade nos vossos blogs e nos murais do Facebook? Gostam de sentir que fazem parte da vida privada destes milhares de contactos virtuais que temos na rede? Os chamados amigos, seguidores, leitores. Pessoas que não conhecemos de carne e osso, mas às quais nos sentimos tantas vezes mais próximos do que dos nossos amigos da vida, com os quais não trocamos o mesmo número de opiniões e muitas vezes não temos os mesmos interesses em comum. E será que as ideias e imagens que seguimos atentamente na rede correspondem de facto a uma pessoa de carne e osso? Mas...será que isso realmente importa? O que interessa no conteúdo virtual não é ele mesmo? Quem o escreve e a quantidade de 'verdade' que deita cá para fora será assim tão importante para nós? O que realmente interessa proteger?
Onde está a linha entre o privado e o público na rede e onde começa e acaba a verdade e a ficção?

Este é um post propositadamente confuso. É para pensar, mas também é para comentar. Por favor deixem aqui as vossas opiniões, sem grandes filtros nem grandes pesquisas, apenas o que pensam e sentem sobre isto. A ideia é fazer um novo post com algumas das vossas opiniões sobre o assunto e tirar algumas conclusões, se é que isso é possível!

Conto com as vossas opiniões. Tenham um óptimo dia!


(Este é um post partilhado aqui e no Quarto de Mudança. A recolha de opiniões será feita em ambos os blogs, no facebook ou através de e-mails que nos enviem. Obrigada.)

lost in living

19.4.12

 
O post de ontem despoletou muitos comentários aqui e no FB. Um deles foi da Lia Ferreira que me mostrou o Lost in Living.
Fiquei colada a ver os vídeos e os testemunhos e conversas destas mulheres. Mesmo!
Sobre eles e a minha opinião poderia escrever aqui várias linhas. Mas acho mais interessante que vejam e sintam por vocês. Para mim é genial esta honestidade quase cruel como os assuntos são abordados.

Pronto, vão lá ver:
- mais vídeos no blog da Lia;
- o site do filme;
- há mais vídeos de excertos no youtube e vimeo;
- e muito importante, no site há um espaço para donativos para terminar e publicar o filme.

(des) organização

4.2.12
(des) organização
 
no outro dia estava a 'gozar' com a minha irmã e a sua mania da organização. nas últimas férias que passamos juntas, quando dei por ela, percebi que muito antes de termos chegado ao algarve ela já sabia onde íamos almoçar, a que horas íamos e voltávamos da praia, que sítios iria visitar, etc, etc. sempre que a abordava sobre qualquer coisa do género 'e se fossemos ali?' percebia que algures no plano dela mental o dia de amanhã e o de depois já estavam preenchidos.
isto pode ser uma grande vantagem para quem vai a acompanhar e não se importa de seguir os planos de outrem, porque de facto não temos de nos preocupar com nada...ela já o fez!
eu não sou de todo assim, nunca fui. lembro-me que um dos maiores prazeres que tinha quando morei sozinha era a possibilidade de acordar ao fim-de-semana, e ir a algum lado que me lembrava no momento, sem qualquer tipo de plano, andar sem destino ou horas para ir e voltar. e não ter de dizer nada a ninguém!
mas agora, com duas crianças em casa começo a perceber esta necessidade de organização. sair para o imprevisto com duas miúdas não é fácil. vestir, dar de comer, mudar fraldas, arranjar roupa suplente, levar mais qualquer coisa para comer, ver se está frio, ir e voltar dentro de um horário que respeite horas de comer e dormir, etc, etc...geralmente quando me invade a vontade de imprevisto a meio destes pensamentos já desisti!
é preciso planear, acordar e arranjar a uma determinada hora, saber onde se vai e quando se volta. incontornável...não deixa de ser chato, mas é incontornável.
a esta necessidade de organização familiar, temos de adicionar uma extra organização pessoal e profissional. sem um plano parece que não chegamos a lado nenhum!

é...estou em casa há uma semana com uma criança de 3 anos e um bebé de 10 meses constipados. isto está a mexer-me com a cabeça e o corpo e sabe-se lá mais o quê! ai está, está...

os demitidos

22.1.12
vivemos tempos como não há memória. mas não são tempos de crise financeira, são tempos de guerra de palavras, de declarações insultuosas, de falta de confiança e crédito entre as pessoas.
cada vez que ligamos o rádio ou a televisão já não ouvimos as músicas nem vemos os filmes que gostamos, ouvimos a desgraça do dia, a paródia da miséria e o desrespeito pela  vida como a conhecíamos. a internet é o caldeirão onde tudo isto se entorna. a grande diferença é que aqui os condimentos são acrescentados por pessoas como nós, não pelos jornalistas ou políticos, mas por aqueles que usam o seu computador como arma de guerra. o que é estranho é que aqui na guerra das pessoas normais é tudo quase igual à outra guerra. por mim estão todos demitidos!

lamento, mas hoje não tenho imagens para ilustrar o que me vai na cabeça, fica a música:

to like or not to like

15.11.11
(fotografia do site modcloth)




esta semana que passou foi intensa! nunca imaginei que a minha micro loja pudesse ter uma recepção tão calorosa:)
agradeço a todos os comentários, e-mails, divulgação, palavras de apoio e entusiasmo que recebi nestes últimos dias. acho que o meu novo projecto se identifica naturalmente comigo, é orgânico e por isso não precisa de muito esforço, o que para mim é uma batalha ganha, pois sinto que encontrei o parceiro ideal para o meu blog. estou feliz e por isso cheia de novas e boas energias.
bem, mas este post não é para 'passar graxa' ao pessoal, ou a imagem lá de cima não faria qualquer sentido! é que ando, mais do que nunca, farta do facebook. é um vício pegajoso, é o que eu acho. não quero sair de lá porque sinto que é o único sítio em que me ligo a pessoas que de outra forma nunca 'veria', também porque é através dele que leio e sei de novidades que me interessam muito concretamente. gosto também de acompanhar alguns 'passadores de música' com gostos semelhantes ao meu. mas a verdade é que a maioria do tempo em que por lá passo, não vejo nada de interessante e a expressão que me ocorre frequentemente é 'who cares?'. já fiz o exercício de não o ligar durante uns tempos, e a sensação que fica é a de que estamos por 'fora' de tudo. estranho, muito estranho, porque há pouco tempo atrás não o usava e nunca lhe tinha sentido a falta. é daquelas necessidades que nos são impostas e que se entranham quase sem darmos por elas. ok, eu sei que posso 'limpar' o meu mural de coisas que não gosto, fazer grupos específicos e arrumar a coisa de maneira a ficar mais interessante para mim, mas isso dá-me muito trabalho e consome-me tempo, que é coisa que não quero perder por lá.
no outro dia estava a lembrar-me de uma conversa que tinha tido sobre a utilização intensa de computadores e internet em minha casa, há já alguns anos, e uma quase ausência de televisão. o que para a maioria das pessoas parece estranho. acho que a minha casa, é a única que conheço que ainda não tem daquelas televisões 'fininhas'! na altura eu justificava essa situação dizendo que a televisão era invasiva, obrigando as pessoas a consumir os seus conteúdos e as ideias e palavras daqueles que têm o privilégio de estar do lado de dentro da 'caixa'. por outro lado, a internet é mais livre e independente. somos nós que escolhemos o que queremos ver e ouvir e, temos acesso a um sem número de pessoas e conteúdos que produzem pensamento livre e individual.
pois com o facebook já não é bem o que sinto. às vezes imagino o facebook como se de um espaço físico se tratasse, e nesse espaço está muita gente, com pouco ar para respirar, todos falam alto e de forma autista e quase ninguém ouve nada. tudo isto, acompanhado de uma música muito alta e de milhares de imagens que passam em ecrãs a uma velocidade estonteante.
eu não sei se gosto ou se não gosto. sei que consumo menos, porque ando ocupada numa vida 'física' que me preenche as mãos, o tempo e o coração. gostava de incrementar mais o meu blog e trabalhar a fotografia, e vou fazer disso, a par com o 'choose your own head' os meus grandes objectivos para o novo ano que se aproxima. preciso de concentração e foco, é isso...e um pouco de organização também dava jeito:)

go do something

2.11.11
go do something
 
ando a trabalhar num projecto novo que vai aparecer por aqui muito em breve. nunca na minha curta existência de vida pensei e concretizei algo com tamanha rapidez. porque o escolhi simples, pessoal e objectivo. assim sem muitas merdas decidi fazer aquilo que gosto e me apetece com os recursos que tenho. não deixo de ter aqui uma vida pendurada à espera de soluções e sei que outras coisas se seguirão, mas o gozo já cá está.

estou farta das discussões de café sobre o estado do mundo e a imoralidade dos outros e a injustiça global. está tudo louco, é um facto, mas as lamentações e o apontar dedos à 'treinador de bancada' é algo que me mexe com os nervos. admiro as pessoas que se envolvem, que se preocupam com a política de um ponto de vista comunitário e local e tentam mudar as coisas. eu não sou dessas pessoas, mas acho que devia ser. e estou a pensar em mudar isso.

OMG!

24.10.11


assim de repente fiquei com a 'necessidade' de trocar o meu tijolo que nem fotos tira, por uma 'coisa' destas que faz qualquer um sentir-se num futuro muito avançado!
agora vou ali pensar porque é que eu preciso mesmo de ir até ao futuro:D

give me some rock n' roll

27.9.11


- abaixo os hipócritas, politicamente correctos, penteadinhos, arranjadinhos e brilhantes personagens do mundo
- abaixo as casas e cozinhas arrumadas, a roupa lavada, a relva cortada e os dentes branqueados
- abaixo a comida saudável, o desporto localizado, a consciência ambiental e as listas etiquetadas
- abaixo a falsa modéstia, o discurso controlado e a necessária convivência social
- abaixo os check ups de saúde, os animais de marca e os carros lavados
- abaixo as carreiras, os certificados de habilitações, os chefes e os doutorados
- abaixo o cansaço, as doenças e a escravidão mental

(sim, as donas de casa do séc. XXI dizem e pensam estas coisas...)

compras com adrenalina

17.3.11
compras com adrenalina

sei bem que sou suspeita para abordar este assunto, mas de facto, para mim, comprar na internet é algo que se está a tornar cada vez mais normal.
pois é, o famoso casaco deste post já chegou, e apesar de ter tido de o desalfandegar (o que nem sempre acontece), a verdade é que é tudo o que eu imaginava e serve-me na perfeição, apesar da barriga ainda não deixar perceber como vai ficar na frente.
e ultimamente tem sido assim. não tenho muitas vezes condições para ir dar passeios e fazer compras nas minhas lojas preferidas de rua e os shoppings são cada vez mais uma alternativa de última hora quando é mesmo necessário. porque as boas compras, essas faço-as online, muitas vezes de coisas que namoro tempos infinitos e que depois acabo por encontrar com super descontos e comprar mesmo fora de época porque valem a pena.
já comprei clogs na sweddish hasbeens (com super descontos!), vestidos vintage no piquenique das bonecas, casacos na danafae (também com super descontos!), livros na casa ruim, várias coisas no etsy, etc. e até hoje, posso afirmar convictamente que não me arrependi de uma só compra. primeiro porque a compra online não é impulsiva como a compra na loja, pois visito várias vezes as lojas antes de efectuar as compras e muitas vezes falo primeiro com pessoas reais que estão do outro lado e que me ajudam nas dúvidas que posso ter (geralmente o atendimento ao cliente é sempre muito bom!), depois porque tenho tempo para pensar sem pressões porque sei que no dia seguinte posso lá voltar em apenas uns minutos e por isso não tenho motivos para fazer a compra no momento.
noto que a maioria das pessoas que conheço ainda não tem este tipo de experiências, não conhece o paypal nem o mbnet e ainda tem muito receio de comprar "sem ver, tocar e experimentar". claro que na roupa esta questão é muito mais importante do que nos livros ou nos objectos, mas ainda assim, consigo olhar para uma peça de roupa e saber, à partida, sem a experimentar, se me fica bem ou não, porque conheço, melhor do que ninguém o meu corpo e as minhas medidas e os cortes que me assentam melhor. para além disso, as políticas de devolução nestas lojas são geralmente muito boas (não gosta, devolve) e, apesar de não parecer, o dinheiro gasto em portes comparado com a gasolina, parques de estacionamento e outras coisas, acaba por ser irrisório.
e, para rematar, a verdade é que, não sei porquê, me dá uma certa adrenalina:D

o mundo lá fora | the world outside

7.12.09

chuva, originally uploaded by silvia - raparigascomonos.

- please scroll down for english -

não sou uma pessoa extremista, de todo...não sou.
hoje estive a ver o filme (um pequeno excerto, diga-se) 'the 11 th hour', sobre o planeta e as alterações climáticas e tudo o mais que daí possa decorrer.
não achei o filme nada de extraordinário, mas aquilo que mais gostei foi do facto de ter várias declarações de peritos em diferentes áreas, e com opiniões diversas sobre o que "realmente interessa". gostei e partilhei da opinião de que o mundo não precisa que a humanidade volte às suas ditas "raízes", nem que deixe de fazer aquilo que já aprendeu a fazer, mas sim, que utilize toda a tecnologia e ciência para um desenvolvimento sustentável pensado e sentido por todos.
não acredito nessas "ondas" que pairam por aí, de que devemos isolar-nos num monte alentejano, sem água e sem luz, a comer raízes e o que a terra nos dá, para nos salvarmos, a nós e ao planeta da destruição massiva. os humanos não são o "monstro" tecnológico que chegou para destruir o mundo com as suas invenções e cidades. somos também animais, e o resultado da nossa existência faz, de certa maneira, parte da natureza.
o que eu acho que nos falta, a todos como indivíduos e como uma comunidade, é conseguir ver para além da nossa esfera, ou seja ver a "big picture". como um dos comentadores dizia, conseguir desligar o relógio que nos comanda nas acções mecanizadas de todos os dias e descobrir o que nos faz realmente sentir bem e felizes, dar mais de nós ao que e a quem amamos e reduzir aquela sensação de correr para ganhar e para ter...ter aquilo que não nos faz falta. é que para alimentar aquilo que não nos faz falta, produzimos e produzimos e depois, lá está, consumimos. o maior problema, é que neste ponto, a maioria de nós não sabe aquilo que lhe faz realmente falta, pois não?

a propósito disto, e já não tendo nada a ver com o assunto inicial, segue um link para uma entrevista com leo babauta, sobre ser minimalista, vale a pena ler...

---

I'm not an extreme person, at all ... I'm not.
Today I was watching the movie (a snippet, say) 'the 11 th hour' on the planet and climate change and everything else that may arise.
I did not find the film anything extraordinary, but what I liked the most was the statements made by experts in different areas about what "really matters". I shared the view that the world does not need humanity back to their so-called "roots" or to stop doing what he has learned to do, but, using all the technology and science for sustainable development thought and shared by all.
I do not believe these "waves" that hang out there, that we should isolate ourselves in an Alentejo hill, with no water and no light, eating roots and whatever the earth gives us, to save ourselves and the planet of mass destruction. humans are not the technological "monster" that has come to destroy the world with their inventions and cities. we are also animals, and the result of our existence is in some way, part of nature.
I think that what we lack, as individuals and as a community, is to see beyond our sphere, ie seeing the "big picture". as one of the experts said, being able to turn off the clock that drives our mechanical actions every day and find out what really makes us feel good and happy, give more of ourselves to what and whom we love and reduce the sensation of running to win and have... those things we don’t need. to feed what you don’t need, you produce and produce and then, get to the point of mass consume. the biggest problem is that at this point, most of us do not know what their needs really are, do we?

concerning this, and I warn you it has nothing to do with the initial subject, here is a link to an interview with leo babauta on being minimalist, is worth reading ...

dirty jobs rule

19.9.09
diypaintingdiyhands all overespaço

é o que dá aqueles programas de televisão em que se constroem casas em 3 dias, mudam-se divisões em apenas algumas horas, tudo parece fácil e rápido e acabamos a pensar que "um dia destes vou fazer isto em casa".
ao que a mim me diz respeito, geralmente não passa da boa intenção, tirando algumas raras excepções, geralmente levadas a cabo em férias (naqueles momentos em que penso que vou mudar o mundo).
mas desta vez estava determinada, afinal de contas o que poderia custar pintar uma mesa tão básica?
pois é, custou-me vinte e tal euros de material, várias horas de trabalho e alguma força braçal.
1 hora a lixar, depois limpar, depois colocar o primário, não sei quantas demão e o resultado, tenho a dizer que não é o que se vê nas fotografias, porque entretanto desisti de a pintar desmontada e comecei a pintar só as zonas que achava que se 'viam', consegui deixar pingas de tinta por todo o lado, e alguns mosquitos morreram no processo, ficando enterrados nas camadas de tinta!
confesso que pensei algumas vezes em metê-la no carro e no caminho para o ikea deixá-la no ecocentro mais próximo. mas depois lembrei-me do passado...ela não merecia ser abandonada depois de tanto tempo.
o certo é que fica muito bem no escritório e depois de todo o trabalho sinto-me contente comigo própria por não ter desistido...
também consegui perceber porque é que os trolhas e os pintores e o pessoal das obras andam sempre a cantar no trabalho. este tipo de actividades, depois de algum tempo tornam-se quase relaxantes, dão para pensar na vida, ouvir música, assobiar, ouvir e reparar nas pessoas que passam na rua...e há sempre a sensação de obra acabada, trabalho feito...ou seja..."dirty jobs" rule!!!

dia dos namorados?????

14.2.09

flower power, originally uploaded by silvia - raparigascomonos.

não sei porquê, mas não gosto!
nunca lhe encontrei nada de romântico e sempre o achei algo piroso.
não havia nada pior para mim do que ir jantar fora ou ao cinema e ver os "pombos" espalhados por todo o lado...felizmente o meu (diga-se "pombo") é tão ou pior do que eu para estas coisas e assim sempre passamos ao lado do dia sem grandes conversas sobre o tema...nem problemas de entendimento ou algo parecido!
não sei se é por ser lamechas ou se por ver as montras cheias de presentes horríveis, mas acho rídiculo...porque é que não fazem os dia dos casados e dos divorciados e dos que apenas andam e dos solteiros e dos gays e das lésbicas e dos encalhados?????

napronize me

8.12.08

estamparia, originally uploaded by silvia - raparigascomonos.

ou seja, tira-me as ideias da cabeça, limpa-me a cara, arruma-me o cabelo e espeta-me um sorriso plástico...
depois passa-me bem a ferro e coloca-me na zona mais vistosa da casa, para que todos vejam como és perfeita!

isto para dizer que não gosto:
- de pessoas muito direitinhas, com cabelos arrumados e peles perfeitas
- da metade do mundo que parece que nunca calcou cócó de cão, ou seja, que nunca ficaram sem o tapete debaixo dos pés
- de carros lavados ao fim-de-semana
- ai que eu é que sou maluco
- expressões do tipo "yupii" ou coisas acabadas em "inhas"
- não faço nada como o resto do mundo, porque sou diferente
- a frase mais rídicula que já li: "i want to be an artist"

agora vou dormir que é para parar de dizer asneiras!

PS: a todas as minhas clientes que esperam pelos meus gorros, que por sua vez estão mais do que atrasados, amanhã vou-me levantar cedo para ir comprar as lãs que me faltam! se chegar lá e o homem estiver fechado, amanhã o post "raivoso" vai para vocês...não me levem a mal, mas ando tipo acrobata a tentar equilibrar o que quero fazer e o que não posso fazer...
mas antes de mais, desculpem esta demora...prometo que vou "dar-lhe gás"!!!!

lady like

29.11.08

lady like, originally uploaded by rapariga como eu.

ultimamente apetece-me pintar as unhas...deve ser porque o tempo anda cinzento.só ainda não percebi a piada de pintar as unhas de cor da carne:)
afinal, uma mulher pode tudo!

ser ou não ser cool

16.11.08

cool, originally uploaded by rapariga como eu.

miguel bombarda, sábado à tarde:
mãe (da foz, cabelo com extensões e unhas com uma técnica que desconheço, apenas sei que não são verdadeiras) e filha adolescente (calças, camisola justa, saltos altos) passeiam pelas lojas, entram no artes em partes:
(filha) - isto é mesmo fixe por aqui mãe;
(mãe) - não percebo porquê;
(filha) - não vês que aqui é só freaks?
(filha) - quando for para a ESAD tenho sempre de vir aqui comprar roupa, por isso vai te habituando!
aaaaahhhhhhaaaaaaaahhhhhhhhh.......(grito para dentro, durante pelo menos meia hora)
o que é que se está a passar com o mundo?
freaks????? alternativos??? no meu tempo os meninos que andavam de casacos fred perry, calças largas e cabelo com franja comprida não eram freaks eram BETOS!
estará tudo a perder o sentido?
nunca poderemos considerar um conceito cujas lojas vendem casacos todos acima dos 150 euros como roupa alternativa, vamos lá chamar a isto roupa para a classe alta!!!!
os tão aclamados artistas que se diz circularem por aquelas bandas não passam de um mito urbano, pois apesar do grande número de galerias os artistas não se visitam uns aos outros...não é por aí que eles andam, disso posso vos garantir!
fico um pouco triste ao ver a rua ser invadida de lojas ultra caras, tiazonas com as suas amigas que acham muito radical passear numa rua que CONTINUA carregada de CÓCÓ de cão por todo o lado, pseudo designers da treta, seguidores da filosofia e estilos gays (apenas porque é fashion) e mais um sem número de espécimens que nada têm a ver com a fauna original daquela rua!
as lojas extremamente caras estão a afastar as pessoas "normais" e a originalidade não abunda tanto por lá como se diz!
vim embora, triste e de mãos a abanar...não consegui ver nada de jeito e o bolo de banana com cobertura de chocolate já não há!
beber chá era também impossível tal era a fila:)
rua do almada!
passa um velhote por mim, depois uma família de russos (acho eu!) e depois um rapaz com estilo (finalmente), daqueles com calças de bombazine castanhas (com 10 anos de uso), sapatilhas que não se vê a marca, t-shirt e uns olhos de quem está a morrer de amores (ou fumou um pouco demais)...bem, do tipo, acordei, vesti o que me apareceu á frente e mesmo assim tenho estilo! (tenho um especimen destes em casa e tenciono mantê-lo, pois já não são fáceis de encontrar)! ...
retroparadise: fechou a parte de roupa, só para o teatro! (no porto já não há onde comprar roupa em segunda mão!)
casa almada: se na outra rua não há bolsa que aguente, aqui é melhor nem tentar!
maria vai com as outras: fechado
andando mais para baixo: fechado, fechado, fechado...
estava já de noite, tinha passado a tarde e fiquei triste...o porto anda perdido!
melhores dias virão...espero!

i want to ride my bicycle...

29.6.08

Wind Chill -20, originally uploaded by [Zakkaliciousness].

incrível...há mulheres no mundo que conseguem andar de bicicleta de saltos altos, calças justas, -2ºC e ainda assim parecer a coisa mais natural do mundo!
espreitem aqui!

no meu carro

19.6.08

no meu carro, originally uploaded by rapariga como eu.

este deveria ser um post sobre os preços loucos dos combustíveis, como deveríamos todos andar mais a pé e de bicicleta, trocar o carro pelos transportes públicos, etc, etc.
mas não é...
...quando me apanho sozinha no meu carro (sem a minha filha ou alguém que me chame a atenção) a primeira coisa que faço é carregar a fundo no acelerador e deslocar-me como se estivesse sempre com pressa, para o quê não sei, só sei que só descanso quando chego ao destino...
eu sei, isto é muito feio, mas eu nunca disse que era um exemplo a seguir:(
podia ser bem pior....vrrrruuuuummmmmm